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Mounjaro e Ozempic: cuidados que você precisa ter no tratamento da obesidade

Escrito por Vitória Alves Ribeiro | Jan 15, 2026 4:58:59 PM

Nos últimos anos, medicamentos como Ozempic® (semaglutida) e Mounjaro® (tirzepatida) ganharam destaque no tratamento da obesidade. Embora tenham ficado populares, inclusive fora do contexto médico, é fundamental reforçar: não são “injeções para emagrecer”, e sim medicamentos para o tratamento de uma doença crônica.

A obesidade é reconhecida pela Organização Mundial da Saúde como uma condição multifatorial, que envolve fatores genéticos, hormonais, metabólicos, comportamentais e ambientais. Por isso, o tratamento precisa ser individualizado, contínuo e acompanhado por profissionais de saúde.

Como Ozempic e Mounjaro atuam no organismo?

Segundo a ABESO (Associação Brasileira para o Estudo da Obesidade e da Síndrome Metabólica), esses medicamentos fazem parte de uma classe chamada agonistas de incretinas.

  • Ozempic (semaglutida) atua como agonista do receptor de GLP-1

  • Mounjaro (tirzepatida) atua nos receptores de GLP-1 e GIP

Na prática, eles:

  • Aumentam a saciedade

  • Reduzem a fome

  • Retardam o esvaziamento gástrico

  • Melhoram o controle glicêmico

Esses efeitos favorecem a redução do peso corporal quando associados a mudanças no estilo de vida.

Medicamento não substitui alimentação e acompanhamento

Um dos principais alertas da ABESO é que o uso isolado do medicamento não trata a obesidade de forma completa.

Sem acompanhamento nutricional e mudanças sustentáveis:

  • Há maior risco de deficiências nutricionais

  • Pode ocorrer perda de massa muscular

  • O peso pode ser recuperado após a suspensão do medicamento

O tratamento medicamentoso deve caminhar junto com:

  • Alimentação adequada às necessidades do paciente

  • Preservação de massa magra

  • Incentivo à atividade física

  • Avaliação contínua da evolução clínica

Possíveis efeitos colaterais: o que observar?

Os efeitos colaterais mais comuns incluem:

  • Náuseas

  • Vômitos

  • Diarreia ou constipação

  • Sensação de estufamento

  • Redução importante do apetite

Por isso, a dose deve ser ajustada de forma gradual, respeitando a tolerância individual. Sintomas intensos não são normais e precisam ser avaliados.

Tratamento da obesidade é contínuo

A ABESO reforça que a obesidade é uma doença crônica, assim como hipertensão ou diabetes. Isso significa que, em muitos casos, o tratamento é de longo prazo.

Suspender o medicamento sem planejamento pode levar ao reganho de peso, especialmente se não houver mudanças consolidadas no comportamento alimentar e no estilo de vida.

Uso responsável é cuidado, não atalho

Medicamentos como Mounjaro e Ozempic podem ser ferramentas importantes no tratamento da obesidade, mas:

  • Não são solução rápida

  • Não devem ser usados sem prescrição

O cuidado com a obesidade deve ser baseado em ciência, acompanhamento profissional e respeito à individualidade de cada pessoa.

Referências

  • ABESO – Associação Brasileira para o Estudo da Obesidade e da Síndrome Metabólica. Diretrizes Brasileiras de Obesidade.
    Disponível em: https://abeso.org.br