Quantos passos por dia realmente importam para a sua saúde? A ciência por trás dos nossos hábitos de movimento
Evidências científicas publicadas na The Lancet Public Health mostram que cerca de 7 000 passos diários já reduzem o risco de doenças e mortalidade.
Durante décadas, ouvir “10 000 passos por dia” tem sido um mantra de saúde popular em programas de atividade física e em muitos smartwatches. Mas será que esse número é realmente a meta ideal para reduzir riscos à saúde?
Uma revisão sistemática e meta-análise publicada em 2025 na revista The Lancet Public Health traz uma visão científica mais precisa sobre a relação entre o número diário de passos e efeitos concretos na saúde ao longo da vida.
O que os pesquisadores fizeram
Os autores revisaram dezenas de estudos que acompanharam milhares de adultos ao longo do tempo, analisando quantos passos por dia as pessoas faziam e como isso se relacionava com doenças crônicas e mortalidade.
Principais descobertas
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Estudos indicam que cerca de 7 000 passos por dia já estão associados a melhorias substanciais nos principais indicadores de saúde.
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Risco de morte prematura: pessoas que alcançam 7 000 passos por dia têm um risco significativamente menor de morrer precocemente quando comparadas com aquelas que caminham menos — por exemplo, cerca de 2 000 passos por dia.
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Doenças crônicas e saúde mental: caminhar mais também se associa com menor risco de diabetes, depressão e declínio cognitivo — indicando que a caminhada diária contribui não apenas para o corpo, mas também para o bem-estar mental.
Esses resultados não significam que 10 000 passos sejam inúteis — afinal, mais movimento costuma ser melhor —, mas sim que até níveis mais “atingíveis” de atividade já trazem benefícios robustos para a saúde, o que pode ser encorajador especialmente para pessoas sedentárias ou com limitações físicas.
Por que isso é importante
Com a vida moderna cada vez mais sedentária, metas como “7 000 passos por dia” podem ser mais realistas e motivadoras do que números genéricos e idealizados. Ajustar recomendações de saúde pública com base em evidências ajuda a:
- Reduzir desigualdades no acesso à atividade física recomendada;
- Promover saúde preventiva com metas acessíveis;
- Personalizar objetivos de movimento para diferentes idades e condições de saúde.
Conclusão
Caminhar faz parte de um estilo de vida ativo e saudável, e boas evidências científicas estão agora mostrando que 7 000 passos por dia podem ser um objetivo eficaz e alcançável para a maioria das pessoas — com impactos positivos significativos na longevidade e na prevenção de doenças.
Referência
Ding D, Nguyen B, Nau T, et al. Daily steps and health outcomes in adults: a systematic review and dose-response meta-analysis. The Lancet Public Health. 2025;10:e668-681. Disponível em: Artigo completo no The Lancet Public Health (DOI: 10.1016/S2468-2667(25)00164-1)
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