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O que faz um Chief Travel Officer?

Escrito por Gabriel Ferreira | Mar 8, 2024, 8:19:00 PM

Uma área que será tão complexa a ponto de ganhar um assento no primeiro escalão das empresas. Essa é a tendência para o setor de viagens corporativas. Segundo estudos, ao longo dos próximos anos, o setor deve deixar de ser um departamento auxiliar dentro dos grandes negócios, levando à consolidação do cargo de Chief Travel Officer, ou diretor de viagens. 

Por trás dessa transformação vivida no mundo das viagens corporativas está desde a ascensão dos novos modelos de trabalho até pressões pela sustentabilidade dos negócios. Algo que vai exigir que um profissional que responda a esses desafios de forma conectada aos objetivos estratégicos da organização. E é aí que o Chief Travel Officer vai ganhar espaço dentro das empresas. 

Prova disso é que, segundo pesquisa feita pela Mastercard, 85% dos executivos de grandes empresas com políticas de viagem estabelecidas acreditam que, em 10 anos, deverão ter um Chief Travel Officer em suas estruturas.

Mas o  que faz um Chief Travel Officer (CTO)?

A função ainda é nova e existe em poucas empresas. Mais do que gerir roteiros de viagens de executivos, o Chief Travel Officer deve entender a importância e dominar as ferramentas para fazer uma boa gestão de viagens corporativas, ao mesmo tempo em que domina a visão estratégica do negócio.

“A demanda é por um profissional que saiba enxergar todas as variáveis: cenário econômico, estratégias da companhia para o ano, os momentos de abertura e fechamento do mercado”, diz Luana Nogueira, diretora-executiva da Alagev (Associação Latino Americana de Gestão de Eventos e Viagens Corporativas).

“Para ter essa visão ampla, ele precisa investir em formação e ter voz nas reuniões diretivas, criando estratégias não só de curto prazo, como acontece hoje na maioria das empresas”, diz Luana. 

Na prática, o que se espera de um Chief Travel Officer é que ele esteja conectado às principais discussões da companhia para, assim, conseguir desenhar estratégias que atendam não só aos desafios de custos, mas que tenham papel prático para que a companhia possa atingir seus objetivos futuros.

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3 razões para o aumento da demanda por Chief Travel Officer nas empresas: 

O que a pesquisa da Mastercard aponta é que a crise sanitária trouxe uma maior complexidade para a gestão de viagens, o que tem levado à criação de estruturas mais complexas dentro das empresas e o envolvimento em questões mais estratégicas. 

Entre os fatores que causam essa maior complexidade, os três mais preponderantes são: 

  • A consolidação de novos modelos de trabalho: com profissionais espalhados por diferentes regiões, encontros periódicos para aproximação do time se tornam desafios logísticos para as empresas;
  • As pressões de custos exercidas por despesas como compra de passagens e hospedagens: com valores que flutuam muito em questão de dias, fechar os melhores contratos exige grande conhecimento sobre os players e o setor;
  •  A agenda ESG: viagens de avião estão entre as maiores emissoras de carbono na atmosfera e alternativas mais ecológicas estão entre as demandas para reduzir as pegadas corporativas.

Quais as habilidades de um Chief Travel Officer?

Para desempenhar a gestão de viagens com o grau de visão estratégica esperado de um executivo que pertença ou interaja diretamente com o C-Level de uma companhia, é importante que o profissional reúna competências tanto do universo de turismo de negócios quanto do dia a dia corporativo.

De uma forma geral, para ser um CTO é importante ter:

  • Experiência em gestão de viagens: Conhecimento profundo da indústria de viagens corporativas e das melhores práticas de gestão;
  • Visão estratégica: Capacidade de pensar estrategicamente e alinhar a gestão de viagens aos objetivos da empresa;
  • Liderança: Habilidade para liderar e motivar uma equipe, além de tomar decisões assertivas;
  • Análise de dados: Capacidade de interpretar dados para tomar decisões estratégicas e identificar oportunidades de otimização;
  • Comunicação: Habilidade para se comunicar eficazmente com stakeholders internos e externos.

Fora isso, em vez do foco apenas no custo, o líder da área de viagens puxa para si responsabilidades como o desenvolvimento de programas que equilibrem as necessidades do negócio com a experiência do viajante, como a criação de políticas de viagem claras. 

Fora isso, também deve estar antenado às novas tecnologias que possam garantir uma melhor gestão, além de economia de custos e otimização de processos. Para 87% dos entrevistados na pesquisa da Mastercard, por exemplo, o setor de turismo de negócios está em um momento de virada, em que soluções tradicionais serão rapidamente substituídas por outras, que atendam melhor aos desafios atuais.

É o caso da solução de viagens corporativas da Flash, na qual as empresas podem realizar toda a gestão de uma viagem em um único local: da compra de passagens e reservas em hotéis ao controle de reembolsos. 

Na mesma plataforma, é possível desde buscar e comparar preços de hotéis e diárias até criar fluxos personalizados, relatórios e aprovar solicitações (inclusive pelo celular). Algo que, claro, gera economia, agilidade e muito mais praticidade. 

Por que contratar um Chief Travel Officer? 

Qualquer empresa que precise deslocar executivos de forma constante deve estar atenta à possibilidade de contar com um diretor de viagens ou  Chief Travel Officer em sua estrutura. 

Isso porque esse profissional pode ser crucial para decisões de investimentos e otimizações de despesa que estejam alinhados aos planos estratégicos da companhia, além de ter a senioridade para melhorar a experiência do viajante, aumentar a eficiência e garantir conformidade com as regulamentações em constante evolução.

Essa posição mais avançada na hierarquia pode ser especialmente importante agora, uma vez que o setor de turismo está buscando se estabilizar após a crise enfrentada com a pandemia de COVID-19. Algo que se traduz no fim do congelamento de contratos e maior pressão em aspectos como aumento de custos. 

Outro aspecto que começa a ganhar relevância nas agendas dos executivos de viagem corporativa é a sustentabilidade. Com acionistas pressionando pelo atingimento de indicadores de ESG, encontrar alternativas com menor impacto ambiental entra na lista das prioridades. 

Segundo o levantamento da Deloitte, 40% dos gestores de viagem europeus e um terço dos americanos têm lidado com metas relacionadas à sustentabilidade (implicando, inclusive, na redução da quantidade de viagens por ano).

“As empresas têm começado a entender que comprar viagens é diferente de comprar qualquer outra coisa, como peças para a fábrica, por exemplo. O mercado de viagens não é estável, ele muda a todo instante e, por isso, demanda essa qualificação própria”, conclui Luana.