"Deveríamos parar de usar o termo recursos humanos", diz indiano Raj Sisodia, no Brasil a convite da Flash

No Brasil a convite da Flash, Raj Sisodia, co-fundador do Capitalismo Consciente, diz que líderes precisam mudar a forma como fazem negócios

Flash

Por Mariana Poli No Brasil a convite da Flash, Raj Sisodia defende que os líderes precisam mudar de mentalidade com urgência. Professor de negócios do Babson College, nos Estados Unidos, e co-fundador do movimento Capitalismo Consciente, o guru indiano diz que a forma como os negócios são feitos hoje geram sofrimento e estresse e que, depois das revoluções industrial e tecnológica, a próxima grande revolução precisa ser a humana.

Nesta quarta-feira (10/8), ele fará palestra noFlash Humanidades, que reunirá grandes nomes para debater uma questão essencial ao RH: como colocar o humano no centro do debate corporativo.

O evento será híbrido e gratuito. As inscrições para acompanhar a transmissão online ainda estão abertas e podem ser feitas pelo site.

Como aquecimento para o evento, que começa a partir das 19h, preparamos uma entrevista especial para que você conheça melhor algumas das principais ideias de Raj Sisodia, como o fato de ele evitar a expressão "Recursos Humanos". Veja, a seguir, os principais trechos da conversa.

Um de seus conceitos mais famosos é o "Healing Company" (ou "organização de cura", em tradução para o português). O que define esse tipo de empresa?

Vamos começar pela ideia de que a forma como fazemos negócios está criando estresse e impacto negativo nas pessoas, nas comunidades, nas famílias dos funcionários e, a depender do que vendemos, na saúde dos consumidores.

O engajamento dos funcionários em todo o mundo é de apenas 20%, de acordo com a Gallup. Muita gente odeia o trabalho. Além disso, há uma epidemia de esgotamento. Estatísticas mostram que as taxas de ataque cardíaco são 20% mais altas nas manhãs de segunda-feira e que 120.000 pessoas morrem todos os anos de estresse relacionado ao trabalho nos Estados Unidos.

Não é certo que você tenha de sofrer para ganhar a vida. Ser uma "organização de cura" passa por reduzir o sofrimento, promover o desenvolvimento das pessoas, elevar a alegria e gerar crescimento saudável. Se fizermos isso, vamos sair ao final de cada dia fisicamente, mentalmente, emocionalmente, espiritualmente e socialmente melhores do que entramos.

A liderança está pronta para implementar esse novo jeito de fazer gestão?

Eu diria que não. Hoje, a maioria dos gestores estão focados em sua própria agenda, pensando no que os seus funcionários devem fazer para atingir metas e resultados. Eles não estão realmente pensando no bem-estar das pessoas. E, mais, os líderes têm suas próprias feridas, seus próprios traumas e a sua própria necessidade de cura. Ou seja, eles precisam se "curar'' antes de se tornarem "líderes de cura''. Conheça as finalistas do Think Work Flash Innovations, que estão colocando o humano no centro de suas práticas

Você é um dos co-fundadores do movimento Capitalismo Consciente. Muitas pessoas acreditam que "capitalismo" e "consciência" são termos contraditórios. O que você diria para quem pensa dessa maneira?

Temos feito negócios de uma maneira bastante egoísta, usando uns aos outros para alcançar objetivos pessoais e celebrando o individualismo e a ganância. A "consciência" nos ajuda a reconhecer que estamos todos interconectados, a buscar impacto positivo, a nos tornar mais realizados e a perceber que o ser humano é mais sobre cooperação do que competição. Que clientes, funcionários, fornecedores, acionistas e até concorrentes podem melhorar competindo da maneira certa. Quem tem um baixo nível de consciência, só pensa: "Se eu ganho, você perde"." Se eu perco, você ganha".

Em entrevistas, você diz que a crise de covid-19 é só o começo — e que vamos enfrentar desafios ainda maiores no futuro. O que acontecerá com líderes inflexíveis, que não estiverem abertos a mudar de rota rapidamente?

Essa não foi a única e nem será a última pandemia na história da humanidade. Mas eu a encaro como uma espécie de preparação. Foi como uma rodada de treinos para nos ajudar a entender como reagimos e lidamos com crises desse tamanho.

Acho que aprendemos muitas lições com a covid-19, certo? A cooperar uns com os outros, a pivotar, a adotar a tecnologia para garantir que o trabalho seja feito. Aprendemos que as pessoas podem trabalhar em suas casas e ser igualmente (ou até mais) produtivas. A pandemia também nos ensinou que somos vulneráveis, temos de cuidar uns dos outros, proteger nosso bem-estar e a nossa saúde.

Sem humanidade, não há futuro

Para lidar com mudanças climáticas, futuras pandemias e outros desafios, os líderes terão de pensar cada vez mais além das fronteiras tradicionais, inovando rapidamente e cooperando em larga escala. Isso será essencial.

Que tipos de desafios, por exemplo, ainda vamos enfrentar?

A maior crise que existe hoje é a climática. O desastre é enorme, mas se move lentamente. Acho que para combater as mudanças climáticas nós temos de aplicar o mesmo senso de urgência, com a mesma mobilização massiva que tivemos durante essa crise sanitária.

Outro desafio que já está posto é a desigualdade de renda, que vem aumentando. Há muita inquietação e infelicidade nos trabalhadores comuns porque, na verdade, eles não se beneficiaram tanto quanto deveriam do sistema capitalista.

Sinceramente, não acho que as empresas possam sobreviver no futuro se não estiverem dispostas a se envolver com todas essas questões.

Você tem um livro chamado Liderança Shakti: O Equilíbrio do Poder Feminino e Masculino nos Negócios. Poderia falar mais sobre esse conceito?

Todo o nosso sistema social — negócios, política, religião, educação — foi dominado por homens. Temos vivido em um mundo de energia masculina, em que até pouco tempo atrás as mulheres não podiam votar nem ter dinheiro no banco.

Como resultado, há uma realidade tóxica de dominação, pressão e hipercompetição. Tudo se torna guerra. Se você observar apenas o contexto da Europa, houve 1.200 guerras em 600 anos. Estamos, inclusive, vivendo uma guerra agora, na Ucrânia.

Precisamos de força, coragem, resiliência, foco e disciplina, mas também de amor, compaixão, empatia e cuidado. É extremamente importante que homens e mulheres incorporem todos esses traços. Na minha visão, este é o século em que o feminino e o masculino vão se integrar. E isso vai levar a nossa humanidade a um outro patamar.

O Flash Humanidades vai discutir como construir um novo modelo de sociedade, mais focado nas pessoas. É possível alcançar isso fazendo só avanços tecnológicos?

Construir um novo modelo de sociedade requer uma mudança de perspectiva. Antes de Nicolau Copérnico, a crença era de que a Terra ocupava o centro do universo. Era uma visão egocêntrica de que tudo girava em torno de nós. Copérnico apareceu e disse: "Isso não é verdade. São os planetas que giram em torno do Sol." Era uma visão de mundo completamente diferente.

É esse tipo de mudança que precisa acontecer nos negócios.

Hoje, colocamos o lucro no centro do planeta: pessoas, produtos, tecnologia e inovação giram em torno dele. Vamos fazer a nossa própria revolução copernicana, colocando a vida no centro para que tudo gire em torno dela.

Se você pudesse dar um único conselho sobre RH, qual seria?

O RH é uma daquelas funções meio desrespeitadas. Os diretores financeiro e de marketing, por exemplo, sempre tiveram muito poder. Mas os diretores de RH ainda são vistos como um apoio para garantir que as empresas estejam em conformidade com as leis e não sejam processadas. Temos de passar da obrigação à estratégia. Para isso, deve haver uma parceria estreita entre o CEO e o executivo da área de gente.

Aliás, não gosto da linguagem "recursos humanos''. Recurso é um pedaço de carvão. O que acontece quando nós o usamos? Ele vira cinzas. Se você tratar um ser humano como um pedaço de carvão, ele também vai se esgotar.

O negócio dos negócios são as pessoas. Ontem, hoje e sempre. Isso deveria ser colocado em uma placa na porta de todo CEO. É tudo sobre as pessoas. Quanto mais elevarmos esse reconhecimento, colocando a vida no centro, mais a função dos profissionais que trabalham com pessoas se tornará estratégica.

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