Dia Nacional de Combate à Discriminação Racial: como se tornar uma empresa antirracista

Neste Dia Nacional de Combate à Discriminação Racial, listamos ações para sua empresa se engajar na luta contra o racismo.

Flash

Hoje, dia 3 de julho, é celebrado o Dia Nacional de Combate à Discriminação Racial. E, mesmo após 135 anos da abolição da escravatura, o Brasil permanece uma sociedade estruturalmente racista — cenário que se reflete dentro das empresas.

Prova disso é que segundo levantamento do IBGE, brancos possuem rendimento mensal 2 vezes maior do que os negros no Brasil. Em, embora, representem mais da metade da população brasileira, os profissionais negros não ocupam sequer 30% dos cargos de gerência nas empresas.

Por que 3 de julho é celebrado o Dia Nacional de Combate à Discriminação Racial?

A data faz referência a criação da Lei n° 1.390, conhecida como Lei Afonso Arinos, em 1951, a primeira legislação brasileira contra o racismo.

Criada após um caso de racismo sofrido pela coreógrafa americana Katherine Dunham, a Lei Lei Afonso Arinos, cujo nome é uma alusão ao deputado da UDN que levou o projeto à Câmara, tornou a discriminação racial uma contravenção penal.

E se ainda estamos longe do ideal, de lá para cá temos visto um movimento crescente de organizações, públicas e privadas, em criar mecanismos para combater a discriminação racial. Muitas até se autodenominam empresas antirracistas.

O Itaú Unibanco, por exemplo, anunciou que planeja ampliar em 30% a representatividade negra em seu quadro de colaboradores nos próximos 4 anos.

Para isso, criou um projeto que prevê a criação de vagas exclusivas para pessoas negras e pardas, como detalhou Camila Udihara, superintendente de Cultura Corporativa, Analytics e Aprendizado Contínuo do banco, nesta entrevista ao blog da Flash.

Já a PepsiCo realiza desde 2019 um programa de mentoria para colaboradores negros, cujo objetivo, como mostramos neste artigo no Blog da Flash, é aumentar o número de profissionais na liderança da multionacional.

O que significa ser uma empresa antirracista?

Ser antirracista significa se opor ao racismo, ou seja, não compactuar com qualquer forma de preconceito racial.

Para isso é preciso rever políticas e práticas que, mesmo que subjetivamente, contribuem para a exclusão de pessoas negras. Além de uma mudança na cultura organizacional para que o combate ao racismo se torne um valor compartilhado por todos.

O engajamento na luta antirracista é algo que diz respeito à responsabilidade social das empresas. Mas, além disso, também têm impacto nos seus negócios e na forma como ela se relaciona com seus consumidores.

“Cada dia mais entendemos que o público busca engajamento com as marcas e produtos alinhados aos seus valores. Por exemplo, é inconcebível que um cliente negro seja consumidor de uma grife que está vinculada ao trabalho escravo ou a qualquer caso de racismo em suas lojas”, diz Guibson Trindade, gerente-executivo da Associação Pacto de Promoção da Equidade Racial.

Diante disso, em ocasião do Dia Nacional de Combate à Discriminação Racial, o Blog da Flash listou uma série de ações e práticas antirracistas para ajudar o RH engajar os colaboradores nessa tarefa – que é de todo a sociedade.

Dia Nacional de Combate à Discriminação Racial: como ser uma empresa antirracista

1. Reconheça o racismo e o privilégio branco

O primeiro passo para se tornar uma empresa antirracista é não negar a existência do racismo. Reconhecer sua existência é fundamental para desenvolver estratégias corporativas de inclusão.

“Garantir que a empresa seja inclusiva e diversa não é uma missão exclusiva dos líderes. Mas é papel deles garantir que toda cadeia corporativa entenda que a diversidade é um compromisso efetivo da organização”, argumenta Trindade.

A ausência de pessoas negras em posições de liderança não costuma causar incômodo ou surpreender pessoas brancas. Isso é apenas um exemplo do quanto não é comum refletir sobre o privilégio branco.

Reconhecer é essencial para que uma situação privilegiada não seja encarada como algo natural ou como o resultado do esforço individual.

2. Fomentar uma comunicação antirracista

Fruto de uma sociedade marcada pela discriminação racial, a linguagem também é composta por diversos termos originalmente racistas — ainda que, em alguns casos, seu sentido original tenha se perdido com o tempo.

Neste link, você pode baixar gratuitamente o nosso Guia de Linguagem Inclusiva, que traz exemplos de termos racistas que devem ser riscados do vocabulário.

CEO da consultoria Black ID, Renata Camargo lembra que a comunicação deve ser livre, ainda, de diálogos estereotipados, preconceituosos e pré-julgamentos.

“Uma forma de ampliar a consciência das equipes a esse tema é investir em workshops, sensibilizações e consultoria especializada para a elaboração de campanhas, peças e outras comunicações”, afirma.

Finalmente, vale lembrar que comunicação também é ouvir e dar voz ao outro, como destaca Trindade, do Pacto de Promoção da Equidade Racial.

“Historicamente, as pessoas negras cresceram sem referências saudáveis nos meios de comunicação. Por muitos anos nossos corpos e imagens foram associadas a notícias negativas, crimes, violências e outros fatos que reforçam o estereótipo de perigo”, diz.

“Quando olhamos para as empresas, a comunicação interna também perpetuou essa exclusão. Ouvir os colaboradores negros é um desafio no que diz respeito à inclusão.”

3. Ampliar a contratação e a promoção de pessoas negras

Não basta reconhecer o privilégio, é preciso atuar para corrigir a disparidade de oportunidades dadas a pessoas negras e brancas.

Isso se consegue com políticas efetivas. Um exemplo disso são os processos exclusivos para pessoas negras.

Ou, então, a eliminação de critérios como possuir um segundo idioma ou cursar uma faculdade de elite na hora de contratar os profissionais.

Pessoas negras, historicamente, também fazem parte da camada mais pobre da sociedade e, por isso, não têm acesso aos mesmos espaços que os brancos.

Por fim, é preciso atuar para desenvolver esses profissionais de forma que haja equidade nos processos de promoção e formação de líderes. Exemplos disso são práticas como a mentoria afirmativa ou o subsídio de cursos de qualificação, como de idiomas, por exemplo.

4. Apoiar pessoas negras

Contratar consultores, palestrantes e outros profissionais para darem cursos ou fazerem apresentações na empresa é uma forma de valorizar a sua atuação, promovendo a diversidade e a inclusividade.

Vale também reconhecer a atuação de colaboradores, abrindo espaço para que se expressem, incentivando seu crescimento na corporação ou ainda financiando cursos e viagens.

Por último, é preciso ficar atento e respeitar o lugar de fala. Por isso, é preciso ficar sempre atento para não diminuir, questionar ou anular a fala de quem de fato sabe o que é sofrer racismo.

5. Criar espações seguros para denunciar o racismo

Da fala ao jeito de olhar, o racismo pode ser manifestado de diversas maneiras. Uma empresa antirracista deve promover iniciativas que envolvam líderes e colaboradores para refletir sobre hábitos racistas intrínsecos na nossa sociedade.

Além disso, é preciso construir um ambiente com segurança psicológica em que os profissionais negros se sintam à vontade para denunciar eventuais casos de racismo sem medo de relaliação. Para isso, a criação de canais de denúncia e processos de diligência são essenciais.

Neste ano, foi publicada sanção que tipifica a injúria racial como crime de racismo (com pena de 2 a 5 anos de reclusão).

Incentivar os funcionários a denunciarem casos de racismo faz parte da educação antirracial. Feita pela vítima ou pela testemunha, a denúncia é essencial para aprimorar qualquer estratégia de combate ao preconceito racial.

Continue aprendendo:

+ Diversidade racial: 10 livros que todo RH antirracista deveria ler

+ 12 especialistas em diversidade e inclusão para seguir no LinkedIn

+ Como empresas apoiam a inclusão de pessoas LGBTQIA+

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