De felicidade corporativa a semana de trabalho de 4 dias: como trazer bem-estar para o RH

Nomes como Heineken e 4 Day Week Global discutem como trazer mais bem-estar para o RH, área que está sobrecarregada e à beira do burnout.

Flash

Em meio a tantas mudanças no mundo do trabalho, o profissional de RH nunca foi tão importante — e cobrado — dentro das organizações.

E, diante disso, a área de gestão de pessoas, que tradicionalmente tem o papel de liderar as estratégias de bem-estar dos funcionários, também está precisando de apoio.

Pelo menos é isso que aponta a pesquisa exclusiva “Panorama da Saúde Emocional do RH”, realizada pela Flash People, plataforma de gestão de pessoas da Flash.

De acordo com o estudo, que ouviu 702 profissionais de gestão de pessoas de diferentes níveis, 9 em cada 10 RH’s estão lidando com a sobrecarga de trabalho. Mais da metade (54%) também viu seus colegas serem afastados por conta do burnout.

O estudo foi apresentado na manhã da última terça-feira, 27, durante o evento RecarregaRH, cujo foco foi debater estratégias para trazer mais bem-estar não só para os profissionais de RH, mas para as organizações de forma integral.

Assista na íntegra tudo o que rolou no webinar

Na Heineken, felicidade corporativa faz parte da estratégia

Quem abriu o encontro, que aconteceu de forma online, foi Lívia Azevedo, diretora de Felicidade da Heineken. Desde junho de 2022, a segunda maior cervejaria do país implementou uma pesquisa quinzenal para medir o nível de felicidade dos cerca de 14 mil funcionários.

“Durante a pandemia, nós fizemos uma pesquisa de bem-estar, até para entender como poderíamos apoiar os funcionários naquele momento. E dessa pesquisa nasceu a pesquisa de felicidade, cujo foco é olhar os colaboradores de maneira integral”, disse Lívia.

Lívia também comentou que a pesquisa implementada na Heineken é baseada na metodologia Perma, criada pelo psicólogo Martin Seligman a partir do conceito de psicologia positiva.

De acordo com Seligman, a felicidade pode ser medida por meio de cinco pilares: emoções positivas, engajamento, relações positivas, significado e realizações.

“Uma das perguntas, por exemplo, é se os funcionários recebem apoio dos seus familiares ou amigos dentro do pilar de relações positivas. Em um primeiro momento os líderes podem achar que isso não tem nada a ver com o trabalho — mas é o contrário”, declarou a executiva.

“A vida pessoal e profissional estão relacionadas e é possível que a liderança trabalhe aspectos como segurança psicológica e empatia a partir desse simples questionamento”, disse Lívia.

Na Heineken, a felicidade corporativa é um tema considerado tão estratégico que, em maio deste ano, a cervejaria criou uma diretoria apenas para endereçar questões relacionadas ao tema.

Liderada por Lívia, a diretoria de felicidade da Heineken é composta por profissionais de recursos humanos e de saúde mental. Por lá, são definidas as estratégias que serão tomadas para tratar das equipes que estejam com resultados abaixo do esperado nas pesquisas realizadas quinzenalmente.

“Gestão de pessoas é um tema tão importante para nós que, dentro do planejamento estratégico deste ano, o assunto aparece antes mesmo da busca por resultados na ordem de prioridades. E o principal pilar, que o nosso CEO, Mauricio Giamellaro, defendeu que teria de ser trabalhado em pessoas é a felicidade dos funcionários”, disse.

Por fim, Lívia pontuou que a abordagem da felicidade como estratégia corporativa pode ser uma grande aliada para os RHs em meio ao contexto apresentado pela pesquisa da Flash.

“Qualquer empresa, qualquer trabalho, vai trazer estímulos negativos para a sua vida. Mas a ciência da felicidade oferece para nós ferramentas e práticas para tornarmos essas emoções algo positivo. Porque a felicidade precisa ser intencional. Ela precisa ser praticada no dia a dia, igual um exercício físico”, disse.

Semana de trabalho de 4 dias: como trabalhar menos e entregar mais

Incensada como uma das tendências do trabalho do futuro, a semana de trabalho de 4 dias foi o tema do segundo painel do evento RecarregaRH, que contou com a participação de Gabriela Brasil, head de comunidade na 4 Day Week Global, e Fabrício Oliveira, CEO da Vockan, empresa de tecnologia para sistemas de ERP.

Gabriela, que representa no Brasil a organização neozelandesa que realiza testes com empresas ao redor do mundo para a adoção da jornada de 4 dias de trabalho, defendeu que o modelo é uma evolução natural.

“A proposta de uma jornada de trabalho de 4 dias na semana não é nova. Diversos economistas já pesquisaram o modelo. O que acontece é que hoje, com as tecnologias e os recursos que temos em 2023, ela é possível”, disse.

“Quando a gente olha para a história vemos que isso é um movimento natural. É só lembrar que há 100 anos durante o fordismo passamos de um modelo de 6 para 5 dias de trabalho”, afirmou.

Já Fabrício, que implementou o modelo da semana de trabalho de 4 dias na Vockan desde o ano passado, declarou que a opção se deu porque a empresa queria aumentar o bem-estar e qualidade de vida dos cerca de 100 funcionários.

“Percebemos que a semana de trabalho de 4 dias consegue responder a questões como melhorar a saúde mental, que hoje em dia é uma preocupação das organizações. Outro aspecto é reter e atrair talentos. Uma vez que nos tornamos ambientes saudáveis, mais pessoas também nos desejam como lugar para trabalhar”, afirmou.

De acordo com Fabrício, quando um projeto piloto para a adoção do modelo foi anunciado, tanto líderes quanto funcionários questionaram se ele seria eficaz.

“Alguns não acreditaram. A área financeira dizia que a empresa ia quebrar. Esses questionamentos vão acontecer porque é uma mudança cultural, de mindset das pessoas. Por isso começamos com um piloto e depois expandimos”, disse.

Muitos dos críticos da semana de trabalho de 4 dias argumentam que o modelo não é para todos os tipos de empresa.

Porém, de acordo com Gabriela, companhias como restaurantes, indústrias e até hotéis participaram dos programas pilotos realizados pela 4 Day Week Global em países como Reino Unido, Portugal e África do Sul.

“Existem processos que terão que ser redesenhados. Mas a semana de trabalho de 4 dias que nós advogamos é um modelo flexível, não existe uma fórmula única para empresas de todos os setores. O que temos que focar é deixar de conectar produtividade com o número de horas trabalhadas”, disse.

Tanto Fabrício quanto Gabriela pontuaram a necessidade de repensar alguns processos que, atualmente, drenam as horas de trabalho dos profissionais — e que não significam necessariamente que eles estão sendo produtivos.

“Selecionamos uma área, a de atendimento ao cliente, e mapeamos como ela trabalhava. E percebemos que existiam atividades que geravam muita perda de tempo, como o excesso de reuniões. Isso mudou na Vockan”, disse Fabrício.

“Não existe fórmula mágica: existe organização e comunicação. O que nós sugerimos? O redesign do tempo. E isso envolve tanto a adoção de tecnologias como a revisão de processos, como a diminuição de reuniões”, afirmou Gabriela.

“Muitas vezes as pessoas marcam reuniões para pensar sobre problemas. É preciso pensar sobre o problema antes, elaborar uma agenda com materiais de suporte e sair dessas reuniões com algo concreto. Não é para marcar reuniões de alinhamento de 15 minutinhos que nunca duram isso”, finalizou a especialista da 4 Day Week Global.

Leia mais conteúdos no blog da Flash:

+ People Analytics: o que é e qual sua importância para ser um RH estratégico

+ "Empresas e funcionários devem se unir em prol da saúde mental", diz Izabella Camargo

+ Entenda o burnout digital, nova preocupação do RH

ENTRE EM CONTATO

Preencha o formulário e venha ser Flash

Agende uma demonstração e conheça o lado rosa da gestão de benefícios, pessoas e despesas.

Business

20 mil

empresas

Smile

1 milhão

usuários

Premium

5 bilhões

transicionados

Centralize sua gestão de benefícios, pessoas e despesas corporativas em um só lugar

Descubra nossas soluções

Não enviaremos Spam ✌️