História da Flash
Conheça a jornada tecnológica da Flash: da arquitetura serverless à adoção de microsserviços, Kubernetes e uma plataforma preparada para escalar.
Em um dia qualquer de 2019, um amigo da faculdade me manda uma mensagem: "Tô com uma ideia que queria te mostrar, vamos comer um hambúrguer nessa quinta feira pra conversar?". Obviamente topei, afinal a hamburgueria escolhida era ótima. Vamos ouvir o que ele tem a dizer.
E foi ali que eu fui apresentado ao universo de benefícios flexíveis. Eu já conhecia as dores de um usuário de benefício tradicional no cartão, por já ter trabalhado em um banco de investimentos. Logo, aceitei embarcar nessa jornada, a solução proposta me parecia que tinha tudo para dar certo.
Mais de 7 anos se passaram, e hoje a Flash tem 2 milhões de usuários espalhados por todos os estados do Brasil. Foi a primeira empresa de benefícios flexíveis a alcançar 1 milhão de usuários. Foi a primeira a questionar as regras e operar com um cartão bandeirado. Lançamos diversos produtos e seguimos sempre nos provocando para alcançar mais e melhor.
Proposta inicial e a mudança
A proposta inicial envolvia operar 100% via QR Code. Sem adquirentes na jogada. Mas aí tínhamos alguns problemas a resolver. Uma pesquisa indicou que aproximadamente 80% do saldo para refeição era gasto em até 2 quadras de onde a pessoa trabalha. E agora? Quem credenciar primeiro na nossa rede de pagamentos? Um restaurante próximo e depois vamos atrás de empresas nas redondezas? Ou o contrário?
E para a cobrança? Como fazer para gerar o código que seria lido pelo nosso aplicativo?
No meio desse turbilhão de dúvidas, surgiu a ideia: e se usássemos um cartão bandeirado? Operamos em cima da rede já estabelecida, resolvendo o problema de aceitação em estabelecimentos. Também resolvemos o método de pagamento, dado que é o método mais utilizado hoje em dia
Como era a arquitetura?
Nossa plataforma nasceu usando React, Node.js e arquitetura Serverless, inteiramente na nuvem. Dividimos a plataforma em 3 grandes frentes:
- Gestão de benefícios (web) - voltada para o RH, onde seria possível cadastrar suas empresas, seus colaboradores, e fazer a gestão de saldos e cartões
- Visão do colaborador (mobile) - voltada para um funcionário, quem recebe o benefício, onde ele poderia gerenciar seu cartão, ver saldo e extrato, e de fazer compras com nossos parceiros
- Plataforma de pós venda (web - interna) - todo SaaS precisa de uma ferramenta como essa, com funções voltadas para resolução de chamados e suporte
Essa arquitetura funcionou bem durante uns 3 anos. Banco de dados era monolítico, mas muito escalável por se tratar de um cluster MongoDB de 3 nós. Nossa maior restrição com essa camada era o número de conexões simultâneas suportadas: como tínhamos muitas funções Lambda funcionando em paralelo, chegamos a ter 15mil conexões nesse cluster.
Serverless foi excelente por nos tirar a preocupação com escala do ambiente. Raramente precisamos ajustar o nível de memória RAM disponível para determinada função. Nosso maior limitante aqui foi o limite inegociável de 30s de execução quando expusemos essas funções Lambda via um API Gateway — o que nos trouxe um aprendizado valioso: essa nova funcionalidade, precisa ser síncrona? Se a resposta for não, então precisamos usar alguma estratégia de enfileiramento.
Tudo continuou crescendo: o time, a complexidade do sistema, a base de usuários, e a conta no final do mês.
Em meados de 2022, um novo desafio chegou de onde menos esperávamos: de dentro de casa. A Flash adquiriu duas empresas, abrindo duas novas unidades de negócio além de Benefícios — Despesas e Pessoas. No papel, era uma expansão estratégica. Na prática, era um choque de culturas tecnológicas. As empresas adquiridas tinham sido construídas por times diferentes, com visões diferentes, e isso ficou evidente quando colocamos as arquiteturas lado a lado:
| Flash | Despesas e Pessoas | |
| Infraestrutura | AWS Lambda | AWS EC2 |
| Backend | Serverless NodeJS | Monolito .NET |
| Frontend | React | ASP.NET |
| Banco de dados | Não Relacional (MongoDB) | Relacional (MySQL / SQL Server) |
A tabela acima não é só uma comparação técnica — ela representa decisões tomadas por pessoas, em contextos diferentes, resolvendo problemas diferentes. Nosso desafio agora era encontrar um caminho para podermos continuar crescendo de forma saudável.
Solução proposta
Decidimos por adotar Microsserviços rodando em Kubernetes. Buscamos referências de arquitetura hexagonal, Domain Drive Design, e aplicamos ao nosso sistema. Também optamos por quebrar nosso projeto de front monolítico em micro-frontends Tínhamos um desafio enorme pela frente:
- Reescrever código - entidades, escopos e responsabilidades melhor definidos em novos projetos
- Mudar a infraestrutura - de Serverless para Kubernetes
- Mudar processo de deploy - todo projeto passa a expor uma imagem Docker
- Garantir observabilidade - logs, métricas e traces distribuídos passam a ser cruciais
- Transição para microsserviços (tamanho) + db
- Dividir por partes, com datas aproximadas (ano) - lambdas / front
Para acomodar todas essas mudanças, nosso produto também precisou mudar. É aqui que nasce o FlashOS - uma plataforma "tudo em um" para os RHs. Em uma única plataforma, nossos clientes poderão gerenciar: recrutamento e seleção, avaliação de performance, férias, controle de ponto, benefícios, reembolsos, cartão corporativo, políticas de gasto, viagens corporativas.
A jornada ano a ano
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2022 — Foi o ano de encarar o medo de recomeçar. Abrimos uma nova conta na AWS, subimos um cluster Kubernetes do zero e batizamos nosso portal interno de desenvolvedores de Flashstage, construído em cima do Backstage. Começamos a adoção do NestJS e iniciamos a jornada de microsserviços — sabendo que teríamos que manter o avião voando enquanto trocávamos os motores. Formamos também a unidade de Despesas, lançamos o produto de cartão corporativo e optamos por sincronizar os bancos de dados em mão dupla para não interromper nenhuma operação durante a transição.
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2023 — A unidade de Pessoas inaugurou o FlashOS. Foi um marco: pela primeira vez, um produto Flash nascia já no novo padrão — microfrontends em React e BFFs com tRPC. Benefícios e Despesas começaram sua própria migração para o FlashOS. O time cresceu, a complexidade cresceu junto, e a capacidade de manter tudo isso coerente passou a ser, por si só, um produto interno.
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2024 — Uma decisão difícil, mas necessária: abandonar a tentativa de migrar o produto de Despesas e reescrevê-lo do zero, nos nossos padrões. Recomeçar é sempre um risco calculado.
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2025 — Lançamento da nova plataforma de Despesas. A mesma decisão tomada para Despesas em 2024 foi aplicada a Pessoas: reescrever do zero. O padrão Flash começa a ganhar forma como algo que transcende produtos — é uma forma de pensar e construir.
Saí daquele hambúrguer em 2019 sem imaginar que, alguns anos depois, estaríamos construindo uma das maiores plataformas de RH do Brasil. A ideia era simples: dar liberdade para as pessoas usarem seus benefícios como quisessem. O caminho foi tudo, menos simples. Reescrevemos código, migramos infraestruturas, adquirimos empresas, e aprendemos — às vezes na marra — que crescer de verdade exige disposição para questionar o que já funciona. O FlashOS é o resultado desse acúmulo. E a história ainda está sendo escrita.
Ferramentas que nos apoiaram
Ao longo dessa jornada, alguns projetos internos foram fundamentais para sustentar o crescimento técnico da Flash. Vou destacar 3 deles:
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O Flashstage — nosso portal interno de desenvolvedores, construído sobre o Backstage — centralizou o catálogo de serviços, documentação técnica e padrões de engenharia. Em um ambiente com dezenas de microsserviços, ter um lugar único para navegar pelo ecossistema deixou de ser um luxo e virou necessidade.
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O Tech Radar & Comitê de Tecnologia foi a nossa forma de tomar decisões técnicas de forma coletiva e transparente. O radar organiza as tecnologias em adoção, experimentação, restrição ou abandono — e o comitê garante que essas decisões sejam discutidas, não impostas. É o mecanismo que nos permite evoluir sem perder coerência.
Outros desafios e próximos passos
Nenhuma plataforma cresce indefinidamente sem novos desafios surgindo no horizonte. Alguns dos que já estamos endereçando — ou prestes a endereçar:
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Inteligência Artificial — A IA deixou de ser tendência e virou pressão competitiva. Estamos explorando como incorporá-la de forma útil nos nossos produtos: desde automações internas até funcionalidades que impactem diretamente a experiência de RHs e colaboradores. O desafio não é tecnológico — é saber onde ela de fato agrega valor.
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Escala do time e da plataforma — Crescer o headcount sem perder velocidade é um problema clássico, mas cada empresa precisa encontrar sua resposta. A nossa passa por times bem delimitados, padrões fortes de engenharia e ferramentas internas que reduzam atrito.
A história da Flash é, no fundo, a história de um time que aprendeu a se reinventar sem perder o fio. Os próximos capítulos estão sendo escritos agora.
Engenheiro de software, mentor e professor apaixonado por construir sistemas altamente escaláveis e de alta performance. Com forte domínio em AWS, Azure, Java, Node, Kubernetes e Arquitetura Orientada a Eventos, transito com facilidade entre diferentes ecossistemas e ferramentas. Unindo a engenharia de software à mentoria, transformo desafios complexos de infraestrutura e observabilidade em soluções robustas e conhecimento compartilhado.