Não é só por 100 caracteres - Criamos valor com o Cliente
Um exemplo do beta de Recrutamento e Seleção (R&S) mostra na prática como é possível criar valor com o cliente.
Toda decisão técnica acaba chegando na experiência de quem usa o produto. Não é discurso de apresentação, é o que de fato acontece no dia a dia de quem trabalha com a ferramenta. Por isso a gente tenta olhar pra esse tipo de decisão com o mesmo cuidado que dá pra qualquer prioridade de negócio: entender de onde ela veio e o que muda pra quem está do outro lado da tela.
É também disso que fala o valor "criamos valor com o cliente". Colocar o cliente no centro das decisões, construir soluções inovadoras, escaláveis e simples, agir com ética e responsabilidade legal e transformar o mercado com produtos de excelência não são frases de parede: são critérios que usamos pra decidir o que prioriza, inclusive quando a decisão em jogo é do tamanho de um campo de texto.
De onde vem o feedback
Desde que o R&S entrou em beta, a gente criou canais de comunicação direta com os times de vendas, pré-vendas e onboarding pra ouvir o cliente assim que a reclamação aparece em reunião, sem esperar virar relatório trimestral ou pesquisa formal.
O que aparece por ali não tem nada de sofisticado: é gente contando, do jeito que fala no dia a dia, onde o produto emperra. Um cliente com dificuldade no volume de mensagens pelo canal de integração com candidato. Um recrutador querendo buscar candidato de processo antigo, porque reaproveitar sai mais barato que abrir vaga nova. Uma empresa batendo o pé que precisa de mais de um aprovador no fluxo de abertura de vaga, ponto final. São reclamações de gente tentando terminar o próprio trabalho, não sugestões de brainstorm de produto.
Esses canais não servem só pra registrar fricção do dia a dia. De lá também saiu direcionamento de roadmap inteiro: foi assim que nasceu o interesse por Perfil Comportamental, e por banco de talentos também. E é o mesmo lugar onde a gente enxerga, sem filtro, o efeito real que uma decisão técnica teve na experiência de quem usa o produto, pra bem ou pra mal.
Um caso em que isso já deu certo
Teve um momento em que o problema era outro: o R&S tinha um limite mínimo de vagas contratadas que deixava de fora justamente as empresas de menor porte, e isso estava custando negócio. Cliente que precisava de um volume menor simplesmente não fechava. A decisão foi ajustar esse limite mínimo pra atender esse perfil de empresa, com uma expectativa clara por trás: recuperar parte da demanda que a gente vinha perdendo por causa dele.
É uma mudança pequena, quase administrativa: um número de contrato, um parâmetro comercial. Mas ela só aconteceu porque o sinal do funil virou prioridade de produto, e não ficou só na reclamação do vendedor. Esse mesmo mecanismo, pouco antes, já tinha gerado duas funcionalidades inteiras: banco de talentos e requisição de vagas. O time em campo repetia, mês após mês, que reaproveitar candidato e abrir vaga eram dores de verdade.
Um caso que ainda não fechou
Tem uma reclamação que se repete nos mesmos canais: o recrutador escreve o parecer sobre um candidato, bate no limite de 100 caracteres do campo, e o texto simplesmente para no meio. Ele compara com a ferramenta que usava antes, que aceitava até 5.000 caracteres, e reage do jeito que qualquer um reagiria: acha que a gente entregou algo mais travado que a ferramenta anterior. Já formalizamos isso como necessidade: o recrutador quer reaproveitar o trabalho que já fez e entregar um relatório completo pro cliente final dele. Mesmo assim, ainda disputa espaço no backlog com outras pautas do mesmo beta: volume de mensagens no canal de integração, fluxo de aprovação de vaga, busca ativa no banco de talentos.
O interessante desse caso é que ele nasceu de uma premissa inicial de desenvolvimento, não de uma decisão consciente sobre a experiência do recrutador. Foi um tamanho de campo definido lá atrás, no momento de implementar, que parecia suficiente pro uso previsto na época. E parecia mesmo, até o produto cair na mão de um cliente que usa aquele campo de um jeito que ninguém tinha imaginado. Foi só aí que essa premissa precisou ser revisada.
Não rola aplauso quando se prioriza "aumentar limite de campo de texto". Isso não vira slide de resultado pra ninguém. Mas é justamente esse tipo de coisa, que ninguém vê de fora e todo mundo sente usando, que decide se o produto aguenta cliente de verdade ou só aguenta demonstração.
O que eu levo disso
Quando o canal de feedback vira fonte de prioridade de verdade, e não uma caixinha de sugestão que ninguém revisita, esse tipo de decisão começa a brigar de igual pra igual com qualquer outra linha do roadmap. O ajuste no limite mínimo de contratação e o campo de 100 caracteres são o mesmo mecanismo, só que em momentos diferentes: um já resolvido, o outro ainda rodando.
O R&S segue nesse ciclo. Vai continuar aparecendo reclamação, vai continuar existindo premissa inicial que precisa ser revisada até virar sinal recorrente. A parte boa é que, agora, a gente sabe onde procurar.
Head de Produto (People) na Flash. Especialista em tecnologia e IA com +17 anos de liderança. Com foco em estratégias que buscam traduzir a complexidade da gestão de pessoas em soluções simples, inteligentes e invisíveis.