Líderes da Ambev, Danone, Cortex e NovaHaus revelam tendências de saúde mental

De diretoria exclusiva à jornada de 4 dias, líderes da Ambev, Danone, Cortex e NovaHaus revelam ações de saúde mental nas empresas.

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Enquanto a ansiedade, a depressão e o burnout atingem números recordes, a importância da saúde mental no trabalho torna-se um diferencial competitivo para atrair e reter talentos. E estudos apontam que os profissionais querem trabalhar para empresas que estão preocupadas com o seu bem-estar emocional e não apenas com a produtividade.

Para 92% dos brasileiros que participaram da pesquisa “Global Learner Survey”, da Pearson, as organizações que oferecem algum tipo de serviço ou programa voltado à saúde mental e ao bem-estar levam vantagem nos processos seletivos. E um estudo da Oracle revelou que 84% dos funcionários brasileiros acham que suas empresas precisam fazer mais para proteger a saúde mental de seus colaboradores.

Programas de saúde mental corporativos contribuem para a prevenção e a redução de casos de doenças relacionadas ao trabalho, como a síndrome de Burnout e estão diretamente ligados a aspectos como produtividade, retenção e atração de talentos.

Segundo a OMS (Organização Mundial da Saúde), para cada US$ 1 investido na segurança psicológica dos colaboradores, as companhias têm US$ 4 retornados em produtividade e capacidade laboral.

E, apesar de os dados sobre o mercado de trabalho não deixarem dúvida de que investir na saúde mental dos colaboradores é essencial, muitas empresas ainda não sabem como dar o primeiro passo ou criar programas consistentes. Pensando nos desafios de encontrar boas práticas para a saúde mental no trabalho do papel, conversamos com 4 executivos sobre os programas que comandam e como têm enfrentado esse desafio. São eles:

  • Patricia da Silva Ferreira, gerente de saúde mental da Ambev
  • José Maciel, gerente sênior de saúde e segurança do trabalho na Danone
  • Paulo Leitner, diretor de People na Cortex
  • Andrea Pires e Silva, diretora de recursos humanos da NovaHaus

Em um papo super inspirador, eles falam da importância de priorizar a saúde mental no trabalho, como a saúde integral está diretamente ligada à alta performance e o impacto desse cuidado para os colaboradores e para o clima organizacional das empresas.

Venha conferir!

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Saúde mental e a alta performance

“Cuidar da saúde mental e do bem-estar é o maior estímulo para despertar a potência individual de cada colaborador”, afirma Patricia da Silva Ferreira, gerente de saúde mental da Ambev. Ela cita o “Ciclo de Gente”, processo de avaliação de desempenho que acontece na companhia durante o ano e contribui para reforçar o conceito de que um ser humano em equilíbrio e harmonia será responsável por grandes entregas e desenvolvimento. Nele, são realizados treinamentos para sensibilizar a liderança e o time de Gente e Gestão sobre a importância de olhar para o bem-estar das equipes.

Diretoria de saúde mental

Como forma de priorizar o tema dentro da empresa, desde 2020, a Ambev criou uma diretoria específica para cuidar de ações relacionadas à saúde mental.

“Atualmente, a estratégia dessa diretoria está baseada em 5 pilares principais: quebra do estigma, consciência, cuidado, prevenção e promoção de bem-estar. Essas etapas passam por uma linha que conecta todos os pontos e são fundamentais para espaços que promovam a segurança psicológica”, destaca Patrícia.

Para que os colaboradores e as lideranças possam trilhar essa jornada, a companhia disponibiliza ferramentas como o Guia de Saúde Mental e parcerias com a Caliandra Saúde Mental, que tem atuação focada para aspectos da psiquiatria, e com o Zenklub, plataforma online de saúde emocional pela qual é possível realizar sessões de terapia a qualquer momento e de qualquer lugar.

“Também abrimos inscrições para o grupo de apoio de saúde mental, o CARE, que traduz em suas siglas as palavras Cuidado, Autoconhecimento, Respeito e Escuta Ativa. Ele é formado por funcionários que foram selecionados e capacitados pelo Instituto Albert Einstein de ensino para conduzir a agenda de saúde mental dentro da companhia”, explica a executiva.

Cultura de segurança psicológica

Patricia conta que os investimentos em saúde mental se tornaram essenciais na Ambev.

“A grande missão da área para 2023 é criar uma cultura de cuidado e um ambiente de trabalho saudável, em que os colaboradores possam se sentir pertencentes e desbloquear seu máximo potencial. E, para que esse objetivo seja sustentável, precisamos atuar na área de saúde mental investindo em ambientes com segurança psicológica, em que as pessoas se sintam à vontade para serem elas mesmas, dividindo suas ideias e vulnerabilidades”, conclui Patricia.

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Employee Centricity (foco nos colaboradores)

“Precisamos construir o mundo que desejamos a partir de nossas ações internas. Por isso, toda a nossa estratégia de Recursos Humanos reflete um olhar de Employee Centricity (foco nos colaboradores), conceito que nos direciona de forma humanista ao longo da nossa trajetória”, afirma o médico José Maciel, gerente sênior de saúde e segurança do trabalho na Danone Brasil, acrescentando que, para a Danone, cuidar do bem-estar de quem é “danoner”, como se referem aos seus colaboradores, é o primeiro passo para colocar em prática a missão de levar saúde e bem-estar por meio da alimentação ao maior número de pessoas.

Maciel conta que o foco da companhia na qualidade de vida teve início há 50 anos, quando Antonie Riboud, primeiro presidente e CEO da Danone, apresentou uma perspectiva inovadora ao dizer que “o crescimento não deve ser um objetivo final, mas uma ferramenta para melhorar a qualidade de vida, sem nunca prejudicar os negócios”.

Dessa forma, nasceu o Projeto Duplo da Danone, que trabalha com o conceito de que a saúde das pessoas e do planeta estão interconectadas.

Promoção de saúde e qualidade de vida

Atualmente, a empresa mantém o programa “Viva Bem Danone”, voltado ao bem-estar, que inclui serviços como: aplicativos de incentivo à atividade física, atendimentos por teleconsulta, incluindo psicoterapia; além de parcerias para descontos em medicamentos e artigos farmacêuticos.

Os resultados têm sido satisfatórios. De acordo com Maciel, em 2022, mais de mil danoners participaram dos encontros de saúde e bem-estar e mais de 60% dos 4.500 colaboradores ativaram o benefício do Gympass. E, dessa forma, garantiram o apoio a atividades físicas e mentais para seus times e familiares – já que esses benefícios foram expandidos.

O executivo comemora ainda o fato de ter crescido a utilização dos aplicativos de teleconsulta, triplicando o número de atendimentos. “Além disso, tivemos mais de 60% de danoners participando da campanha de vacinação H1N1 em 2022 e ainda celebramos uma queda no número de afastamentos previdenciários em 16%.”

Estímulo à autogestão da saúde

Um dos principais objetivos da Danone para 2023 é incentivar seus colaboradores a fazerem a autogestão de sua saúde. “Para isso, entendemos ser de extrema importância a proximidade com os danoners e faremos isso por meio do nosso aplicativo de autocuidado”, conta Maciel.

Para fortalecer a atenção primária e prevenir doenças, a empresa também oferecerá um novo modelo de exame periódico anual para todos os funcionários. “Ainda há muito a buscar, mas com o apoio coletivo temos a confiança de que seguiremos cumprindo nossa missão de levar saúde, começando dentro de casa”, finaliza.

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Equilíbrio entre vida pessoal e profissional

Para crescer de forma sustentável, as empresas precisam contar com colaboradores motivados, engajados e felizes. E, para Paulo Leitner, diretor de People na Cortex, empresa líder em inteligência artificial na América Latina, isso só é possível se as organizações compreenderem que não existe separação entre o “eu-profissional” e o “eu-pessoal”.

“A discussão sobre saúde mental ainda gira muito em torno da pauta de oferecer maior equilíbrio entre vida pessoal e profissional, como se essa fosse a discussão definitiva. Mas pouco se discute o que, de fato, é esse equilíbrio”, questiona Leitner.

Segundo o executivo, um ponto importante para levar em consideração nessa equação de saúde mental é a jornada de trabalho, que deve ser compatível, respeitando o tempo particular de cada um. Outro ponto é se o tempo que o colaborador passa em seu trabalho é de qualidade ou se é um período de angústias, medos e ameaças que vai contaminar inclusive o tempo pessoal do profissional.

“Hoje em dia já temos benefícios próprios para instrumentalizar a empresa a apoiar seus colaboradores na qualidade da saúde mental, como Vittude, por exemplo. Entretanto, nenhum benefício jamais conseguirá reverter os malefícios causados por uma má experiência no dia a dia do trabalho”, ressalta.

Como forma de contribuir para um ambiente mais seguro, na Cortex, o cuidado com a saúde mental do colaborador começa no monitoramento do clima organizacional da empresa, na análise semanal das pesquisas de pulses, na leitura de cada comentário deixado pelos times. A empresa monitora com atenção os sinais que podem indicar prejuízos à saúde mental de seus colaboradores.

Folgas para melhorar a saúde mental

“Como esse tema se tornou mais desafiador em tempos de pandemia, nós revisamos benefícios e estruturamos novas ações visando um foco ainda maior na saúde mental”, explica o executivo da Cortex.

O programa PraVC Hora do Break, criado a partir das demandas dos próprios times, oferece um benefício chamado "Pausa Mental": uma semana inteira de folga remunerada em um período escolhido pelo colaborador dentro do mês de janeiro. Além disso, há pelo menos outras seis folgas que os profissionais podem tirar durante o ano, por diferentes motivos, desde a comemoração de aniversário até prêmio pela realização de atividades físicas.

Outra iniciativa da Cortex, a "PraVC Bem-Estar", facilita o acesso à terapia por meio de uma plataforma corporativa, subsidiando parte do valor para todos os colaboradores, incluindo dependentes. Além disso, a tech corp oferece GymPass para estimular seus funcionários a praticarem atividades esportivas.

“Entendemos que o equilíbrio entre vida pessoal e profissional também é um fator crucial na manutenção da saúde mental. Por isso, estendemos o tempo de licença maternidade dos 4 meses obrigatórios por lei para 6 meses, dando assim mais tranquilidade e tempo para as mães da empresa se dedicarem aos seus filhos.

O mesmo benefício foi estendido à licença-adoção para crianças de até 14 anos e aos pais homoafetivos. Optamos por estender também os 5 dias de licença-paternidade obrigatórios por lei para 30 dias”, detalha Leitner.

Leia também: Como o benefício flexível impacta a saúde mental do colaborador

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Adoção de jornada de 4 dias na semana

Uma das principais preocupações da NovaHaus é construir uma jornada de trabalho compatível com seus colaboradores. E, por isso, desde março de 2022 a empresa adotou o trabalho 4 dias por semana, sem redução de salários e com R$ 400 extras de auxílio para usufruírem durante a quarta-feira livre. “Foi possível observar um aumento de 13% de produtividade em relação à carga horária”, afirma Andrea Pires e Silva, diretora de Recursos Humanos da Nova Haus, empresa de tecnologia especializada em produtos digitais de alta performance.

Intercâmbio de aprendizado com grandes empresas

A NovaHaus tem unidades em São Paulo e em Franca, no Noroeste do Estado de São Paulo. Como os líderes dos projetos do interior tinham pouca experiência com o assunto, foi feita uma espécie de intercâmbio com grandes empresas. “‘Emprestávamos’ funcionários que viriam a ser líderes na NovaHaus para trabalhar em grandes empresas por alguns meses, em troca de aprender com processos adotados por elas”, conta Andrea.

Além de estimular o crescimento pessoal e profissional dos times, a troca de expertise rendeu bons frutos e serviu de start para que muitos colaboradores compartilhassem as novas experiências em prol do crescimento da empresa e se tornassem heads na NH.

Diagnóstico organizacional para ampliar ações de saúde mental

Além de planejar seis desafios durante o mês de janeiro com objetivo de conscientizar os colaboradores sobre o Janeiro Branco, Andrea conta que, na empresa, a preocupação com saúde mental vai além dessa iniciativa.

“Demos início a um diagnóstico organizacional, que é um processo para entender a empresa e, nesse momento, todos os colaboradores estão sendo ouvidos, buscando alinhar os interesses da empresa e as necessidades dos funcionários. E, após a finalização desse processo, serão criados projetos específicos para serem implantados na NovaHaus”, afirma Andrea.

Atualmente a empresa já conta com o projeto "Vem de Dentro", que garante uma ajuda de custo para o colaborador que deseja fazer psicoterapia, vales para streamings (Netflix e Spotify), Gympass e ações de integração que favorecem o clima organizacional, como as Olimpíadas da NovaHaus com jogos esportivos de rua e eventos diversos de aniversariantes do mês ao Dia da Pizza, tudo custeado pela empresa.

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