Oito coisas que você precisa saber sobre etarismo e times multigeracionais

Sérgio Serapião, fundador e CEO do Labora, fala sobre etarismo no trabalho.

Flash

Idadismo, ageísmo ou etarismo no trabalho. O fato de ainda não estarmos totalmente familiarizados com esses termos é a prova de que o empreendedor social Sergio Serapião, 48 anos, tem um longo caminho a trilhar. Mas o que é o etarismo?

Na prática, estamos falando de preconceito com pessoas de idade mais avançada. No mercado corporativo, isso se traduz em situações como gente que é demitida ou não consegue concorrer a determinada vaga por ser "velha demais".

"Costumo dizer que o assunto me procurou mais do que eu fui atrás dele", diz Serapião. Não é difícil imaginar o porquê: o país tem hoje 14,7% da população com mais de 60 anos e estima-se que, em 2060, o percentual de idosos acima de 65 ultrapasse os 25%, de acordo com dados do IBGE (Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística). Entre 2012 e 2021, o crescimento foi de 39,8%, o que significa 31,2 milhões de pessoas com mais de 60 anos.

O empreendedor social Sergio Serapião defende que empresas serão mais bem-sucedidas com times intergeracionais

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"Quanto mais estudava, mais percebia o quanto a transformação invisível que a gente está vivendo iria nos demandar transformar todo o nosso modo de trabalho, de estudo, de viver, de se relacionar", relembra Sergio Serapião, para quem longevidade não é assunto só de médicos, mas de todos os segmentos da sociedade.

Fundador e CEO do Labora, plataforma online que usa tecnologia para requalificar talentos com mais de 50 anos, conectando-os com empresas, o especialista falou ao blog da Flash sobre as vantagens de contratar pessoas mais velhas, sobre reskilling e match cultural.

1. Combater o etarismo exige repensar o trabalho

"Precisamos fazer uma revisão do que é trabalho. Nos acostumamos ao trabalho ser exaustivo, dentro de uma lógica em que o trabalho é algo desenhado para o jovem, para pessoas que têm 30, 40 anos. Quando falamos de reincluir pessoas mais velhas, com 50, 60, 70 anos no mesmo ambiente, com as mesmas cargas de trabalho, com a mesma cultura corporativa, vai realmente ficar em evidência que esse ambiente gera doença. Então, precisamos redefinir o que é trabalho. É menos sobre uma limitação do sênior e muito mais sobre o sênior trazer luz para como a nossa cultura do trabalho está ultrapassada, de que é preciso atualizá-la para criar trabalhos que sejam realizadores e gerem saúde."

2. A tecnologia é do presente, não de uma geração

"A pessoa pode correr o risco, quando está há muito tempo trabalhando na mesma empresa, de não acompanhar a velocidade com que o mundo está se transformando. E daí começa a achar que o TikTok não é para ela, que a internet não é para ela. Mas, na verdade, a tecnologia é do tempo presente, não pertence a uma geração. As pessoas se acostumaram a não precisar aprender, porque as coisas não mudavam tão rápido. Precisamos criar ambientes de desenvolvimento para ter inclusão, criar treinamentos, atualizações e reskilling para todas as idades. Hoje em dia as plataformas de treinamentos estão desenhadas para os jovens, para uma geração que é nativa digital. Nada contra, mas como você faz com as outras? Você deixa à parte e começa a achar que a tecnologia não é para as gerações anteriores. Não, a gente é que não está criando o espaço adequado para mantê-las engajadas, motivadas e aprendendo."

3. A discriminação etária foi normalizada

"Ainda hoje recebo relatos regulares de pessoas que dizem, por exemplo, que não conseguiram uma vaga de trabalho porque eram velhas demais. Outro dia um conhecido foi demitido porque tinha 80 anos e estava exercendo sua função plenamente. Se alguém é demitido por uma questão de gênero ou por uma questão de orientação homoafetiva e quem demite explicita isso, é um preconceito, e essa pessoa pode ser julgada por isso. Agora, se alguém demite porque o outro tem 80 anos, todos ao redor vão falar que é normal. Por que é normal? Precisamos urgentemente acordar para essa forma terrível de preconceito que todos nós vamos sofrer se não mudarmos a nossa cultura jovencêntrica."

4. Times intergeracionais dão mais resultados

"O grande objetivo da inclusão dos 50+ é construir equipes intergeracionais. O nosso entendimento — e pesquisas têm comprovado isso — é que temos ativos diferentes em cada momento da vida. A pouca vivência do jovem traz um lado de se jogar nas oportunidades, até pela ignorância dos limites ou da dificuldade de como as coisas ocorrem, o que é muito rico. A experiência de uma pessoa traz uma força que pode equilibrar um ambiente de trabalho dominado pela juventude, que tem estado muito volátil. Daí, quando você olha para as pesquisas, vê que tem uma menor taxa de abstenção, maior satisfação com o trabalho e outras pesquisas que apontam que a própria intergeracionalidade traz resultados muito melhores para a resolução de problemas e de desafios complexos."

5. Diferentes longevidades, diferentes tipos de trabalho

"Temos o desafio de incluir 25% da população: 1/4 da população é 50+, e para esse 1/4 não existem oportunidades claras. Vamos ter que desenhar muitos tipos de possibilidades, desde alguém que é especialista e vai colocar a serviço a sua especialidade de muitos anos acumulados, como outros que vão apostar num recomeço de carreira, reskilling, mas não no mesmo ponto de vida que estavam quando tinham 20 anos. E tem outras pessoas que vão estar ali se conectando de forma flexível mesmo, atuando alguns dias e horas, para complementar renda, por estilo de vida. Para realmente ter bem-estar, saúde e uma renda para uma vida mais longa."

6. Pessoas com mais de 50 anos sentem medo

"Acabei identificando que as pessoas com mais de 50 anos tinham três grandes dores, independentemente dos lugares em que viviam: 1. medo de ficar doente, inválido, de perder a sua potência de vida; 2. um grande receio de não ter condições financeiras de se sustentar; e 3. ficar apartado da vida social. Ficou claro para mim que esses três itens precisavam caminhar juntos e, para isso, a gente precisava redefinir, talvez, a ocupação. Ou seja, uma forma de inclusão que gerasse receita e que essa receita gerasse saúde. E aí eu mergulhei no mundo de como a gente constrói um futuro do trabalho que seja inclusivo para todas as idades."

Sergio Serapião e profissionais do Labora visibilizando a importância da inclusão da diversidade no mercado corporativo

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7. Mulheres versus etarismo

"As organizações não estão desenhadas para os mais velhos e para a mãe. Por outro lado, tem uma questão muito interessante: talvez por todos esses desafios que as mulheres enfrentam, eu percebo empiricamente que elas têm uma capacidade de reinvenção muito maior que os homens. No movimento Lab60+ tem sempre muito mais mulheres dispostas a se redescobrir, a recomeçar e a se reinventar profissionalmente. Eu percebo os homens muito mais presos ao seu histórico ou seu passado. Numa sociedade que está mudando tão rápido, temos que nos reinventar demais, e as mulheres têm esse grande diferencial."

8. Os profissionais seniores estão conectados

"A Labora é uma plataforma online que qualquer pessoa que saiba mexer com o WhatsApp e o Facebook consegue navegar. Hoje, mais de 90% dos seniores têm acesso ao WhatsApp. Ali a gente ensina, requalifica ou atualiza as pessoas acima de 50 anos a partir das referências que elas têm de vida, a partir dos trabalhos, dos fazeres, das referências que elas construíram no passado. Para que uma pessoa a partir dos 50 anos, por exemplo, que era de uma área comercial, possa ser um analista de outbound ou um líder de business development, que na prática não é tão diferente do que o coordenador comercial fazia. Vamos atualizando saberes com as nomenclaturas, as técnicas e as tecnologias que hoje estão disponíveis. E com isso conseguimos fechar um gap de 5, 10 anos de defasagem, mas não olhando o copo vazio, olhando o copo cheio que a pessoa traz para que ela possa se reconectar com o mundo atual do trabalho."

No blog da Flash, você fica por dentro de todas as tendências do mundo do trabalho.

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