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Por que a Natura criou o seu próprio “salário mínimo” para levar renda digna para os colaboradores

Em entrevista exclusiva, executiva da Natura conta como a empresa fortaleceu o “S” da agenda ESG e o que compõe o conceito de "renda digna".

Flash

O salário mínimo brasileiro ocupa o 51º lugar no ranking de poder de compra desenvolvido pela OIT (Organização Internacional do Trabalho). A lista, que conta com 105 países, foi divulgada em maio do ano passado. Na ocasião, esse poder de compra estava estimado em 497 dólares. O da Suíça, que aparece em primeiro lugar, era seis vezes mais, de 3.415 dólares.

Criado em 1936, o salário mínimo brasileiro é um importante mecanismo para proteger os trabalhadores, ressalta a própria OIT. No entanto, ele está longe de ser o ideal. 

Isso porque o valor vigente para 2024 é de 1.412 reais, mas o Dieese (Departamento Intersindical de Estatística e Estudos Socioeconômicos) calcula que o salário mínimo necessário para manter uma família de quatro pessoas atualmente deveria girar em torno de 6.500 reais, considerando todas as despesas. 

É nesse contexto que surgiu o Movimento Salário Digno, iniciativa do Pacto Global da ONU, anunciado em 2022 como parte do programa Ambição 2030, que conta com mais outros seis movimentos e tem como objetivo o desenvolvimento sustentável do planeta. 

A ideia do movimento é garantir que empresas estabeleçam metas de 100% de salário digno para os seus trabalhadores, incluindo operações, contratados e terceirizados. 

Atualmente, 35 companhias brasileiras fazem parte do movimento. Uma delas é a gigante Natura &Co, que conseguiu concluir a meta de implantar o salário digno para todos os colaboradores da América Latina em 2023, incluindo aqueles de zonas extrativistas dos insumos utilizados pela varejista. 

Em entrevista exclusiva ao blog da Flash, Gleycia Leite, diretora de compensação, organização e gestão da companhia, explica como e por que a Natura resolveu adotar a renda digna para os seus 16 mil colaboradores na América Latina. Confira a seguir:  

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Quando a Natura idealizou o projeto de salário digno?

Gleycia: Em 2020, o grupo Natura &Co se comprometeu com a Visão 2030 da ONU, também conhecida como “Compromisso com a Vida”, que conta com uma série de compromissos e ações (dentro de 10 anos) para abordar algumas das questões mais urgentes do mundo. Entre elas, estão questões como: 

  • enfrentar a crise climática e proteger a Amazônia;
  • garantir igualdade e inclusão; 
  • mudar nossos negócios para circularidade e regeneração. 

Para cada uma dessas questões, traçamos metas e, a partir desse desdobramento, foi definido especificamente o objetivo de garantir um salário digno para todos os colaboradores. 

Vale ressaltar que, a métrica de Renda Digna também é umas das principais metodologias utilizadas no IP&L (Integrated Profit & Loss), uma metodologia pioneira criada por nós, e lançada em 2022, que monetiza o impacto do negócio no capital humano social e ambiental. [Em 2021, por exemplo, para cada 1 real de receita, a Natura gerou 1,5 real em benefícios para a sociedade.]

Vocês anunciaram que atingiram a meta de salário digno para 100% dos colaboradores. Qual o valor dessa renda digna? E o que foi levado em conta para chegar até ela? 

Gleycia: O valor mínimo que o colaborador recebe está alinhado à referência de salário digno da localidade em que ele atua. Ou seja, ele não é um valor único. Essa referência de salário digno leva em conta o necessário para se viver com acesso ao essencial, como alimentação, moradia, educação, saúde e demais serviços básicos. 

Para chegar aos valores dos colaboradores no Brasil, a Natura desenvolveu uma metodologia tendo como base os dados da organização global Wage Indicator Foundation, que pesquisa e coleta informações sobre renda digna em mais de 140 países. Esse cálculo é adaptado por país e região, já que o custo de vida varia por localidade.

Quanto tempo levou para que o salário digno da Natura fosse completamente implantado?

Gleycia -  A companhia iniciou o tema em 2020 e, em 2023, alcançou a meta. Foi um período extenso de estudos e análises. Como resultado, tivemos uma repercussão muito boa – tanto interna quanto externa. Mas, o trabalho não para por aqui. Continuamos avançando com o tema internamente por meio da comunicação e da adequação de políticas.

A nova política de salário se estende de alguma forma aos fornecedores da Natura?

Gleycia - O compromisso público se refere somente a funcionários diretos do grupo Natura &Co. No entanto, a empresa vem fomentando a discussão com seus fornecedores, além de já calcular e monitorar o valor de renda para suas consultoras de beleza e cadeia da sociobiodiversidade.

Leia também: Mariana Talarico revela as estratégias de employer branding da Natura&Co

Qual é a importância desse projeto para o pilar de ESG da companhia?

Gleycia - Vivemos em um cenário marcado pelo distanciamento sistemático entre o homem e a natureza e por um crescente desequilíbrio social. Neste contexto, urge a necessidade de uma agenda de impacto mais transformadora por parte dos negócios. O programa renda digna é um dos pilares centrais da estratégia que chamamos de regeneração social da companhia. 

Para nós, a regeneração social é um processo de renovação positiva da sociedade por meio da transformação dos valores, do propósito das organizações e das interações sociais de maneira que cada indivíduo tenha a possibilidade de suprir seu próprio bem-estar e contribuir para o bem-estar daqueles ao seu redor. 

O pagamento de renda digna é a porta de entrada para a garantia do “Bem Estar Bem”, grande lema da Natura. Além da renda digna, a nossa estratégia de regeneração social ainda conta com os pilares de educação, saúde e bem-estar, cidadania e diversidade.

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Por que é importante que empresas como a Natura tenham esse posicionamento quando se trata de remuneração dos trabalhadores?

Gleycia - As empresas têm uma responsabilidade muito clara na defesa e na promoção dos direitos humanos, e entendemos que o pagamento de uma renda digna é central na manutenção desses direitos.

Um salário que vá além do mínimo é importante não só como meio de subsistência digno, mas como gerador de impacto nas gerações futuras e na própria economia da sociedade. 

A renda digna não deriva de um olhar de competitividade salarial, mas na crença de que todos os indivíduos têm direito a uma vida próspera, pertencente e com propósito. Acreditamos que por meio de programas e posicionamentos como esse, somos capazes de reduzir as desigualdades e combater as injustiças.

 

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