Cinco visões para compreender o fenômeno 'quiet quitting'
Separamos 5 visões para entender o que é “quiet quitting” e como esse movimento afeta as empresas de maneira silenciosa
Nas últimas duas semanas, a expressão “quiet quitting” invadiu o TikTok, o Linkedin e as principais páginas de notícias do mundo. Uma busca rápida no Google mostra milhões de menções ao termo por segundo. E aí surge a pergunta: afinal, o que é “quiet quitting” e como ele afeta as empresas?
Chamado no Brasil de demissão silenciosa (em tradução livre do inglês), o conceito prega que façamos apenas o necessário em nossos empregos, driblando o ritmo frenético e a cobrança desenfreada por produtividade.
A ideia se espalhou depois que Zaid Khan, um jovem desenvolvedor norte-americano, publicou um vídeo no TikTok defendendo que é preciso cumprir os deveres sem ir além do combinado. Com a viralização, surgiu o debate: fazer só o que está no job description é um problema? Não deveríamos realizar apenas o que somos pagos para fazer?
Nas redes sociais, especialistas e trabalhadores divergem sobre o assunto.
Defensores argumentam que o objetivo não é pedir demissão ou ser desligado da empresa, mas sair no horário combinado e não acumular funções, buscando maior equilíbrio entre vida pessoal e profissional. Já aqueles que discordam da atitude dizem que ela é arriscada, pois o mundo do trabalho moderno exige adaptabilidade e colaboração.
Para ajudar você navegar por essa "buzzword", fizemos uma curadoria com diferentes análises sobre este fenômeno. Confira:
1. O movimento é real (e já está acontecendo)
Segundo a Gallup, um dos maiores institutos de pesquisas do mundo, os "quite quitters" já representam ao menos 50% da força de trabalho dos Estados Unidos.
E este volume tende a aumentar. "O engajamento dos funcionários nos EUA deu um passo para trás durante o segundo trimestre de 2022. A proporção de trabalhadores engajados permanece em 32%, já a proporção daqueles que estão desengajados em seus empregos cresceu 18%”, diz o relatório.
2. "Quit quitting” é sobre liderança
A revista Fast Company do Brasiltraz um texto traduzido da edição americana no qual alerta: "Não cometa o erro de acreditar, nem por um segundo, que os jovens não querem trabalhar duro em algo que acreditam e preferem ficar no celular. Não podemos culpá-los por não priorizar o trabalho, já que as próprias empresas não os colocam em primeiro lugar."
De acordo com o autor da publicação, a questão está diretamente ligada à liderança (ou à ausência dela). Chefes ausentes, que só pensam em si, não explicam o porquê das coisas e ainda cobram metas irreais desmotivam os funcionários de ir além em suas atividades. "Se quiser pôr um fim ao ‘quiet quitting’, seja, antes de tudo, um bom líder. Ponto final."
A Harvard Business Review publicou um artigo na mesma linha: "Quiet Quitting é sobre chefes ruins, não funcionários ruins".
3. Fazer o mínimo necessário envolve riscos
Alexandre Pellaes, mestre em psicologia do trabalho pela USP, pesquisador e palestrante, pontua que há uma mistura de culpa e vingança nesse movimento. E por que isso é ruim?, questiona ele em sua coluna do UOL.
"Primeiro, porque nenhuma relação humana será bem-sucedida se você fizer o mínimo possível. Segundo, porque as relações de trabalho não acontecem apenas entre você e um(a) empregador(a). Há diversas outras pessoas envolvidas. Colegas, fornecedores, clientes etc. A ideia de que é possível trabalhar o mínimo com muita qualidade é ilusória e terá impacto sobre eles(as)."
No texto, Pellaes cita ainda quatro outros motivos pelos quais é necessário refletir sobre o tema. Na visão dele, é preciso tomar cuidado para não resgatar a ideia do "taylorismo puro, em que somos braços e pernas, mas não mente e coração".
Talvez, escreve, "faça mais sentido buscar um novo emprego do que reduzir sua intenção no trabalho sob o risco de transformar o quiet quitting numa desistência de si mesmo(a)."
Quais competências os CEOs mais esperam dos RHs nos próximos anos? Descubra os principais insights do estudo.
4. Não adianta vigiar os "quiet quitters"
Em uma reportagem especial, a Forbes brasileira mostra as estratégias que as organizações devem usar para lidar com os profissionais que praticam "quiet quitting". Um spoiler: aumentar a vigilância não funciona.
Pat Petitti, economista e CEO da empresa de tecnologia Catalant, argumenta que ferramentas de monitoramento medem o quão as pessoas estão ocupadas, não a produtividade delas. E, com isso, degradam o ambiente, comprometendo a autonomia e a confiança dos funcionários.
A matéria mostra ainda que a desistência silenciosa nasce do esgotamento e que, em vez de vigiar, a liderança deve promover uma cultura de confiança e reconhecimento.
5. A resposta ao "quiet quieting" é o "quiet firing"
Por fim, a revista Época Negócios mostra o outro lado da moeda, o "quiet firing", termo que surge na esteira das "demissões silenciosas" como uma espécie de resposta da liderança ao movimento das demissões silenciosas.
Funciona assim: em vez de chamar a atenção do colaborador ou mandá-lo embora, os chefes vão tornando o ambiente tão ruim que a própria pessoa pede para sair. Isso inclui congelamento de promoções, redução de participação em projetos estratégicos e isolamento do grupo. Neste movimento, "os supervisores não criam necessariamente um ambiente de trabalho hostil, mas insatisfatório, isolado e sem espaço para crescimento profissional."
Quer saber mais sobre as principais tendências do mundo do trabalho? Continue navegando no blog da Flash.
Pioneira no mercado de benefícios flexíveis, a Flash é uma plataforma de gestão da jornada de trabalho que oferece soluções completas para gestão de benefícios, despesas corporativas e pessoas.
