Bare minimum monday: por dentro da tendência que viralizou entre a Geração Z

Tendência do “bare minimum monday" prega trabalhar menos na segunda-feira. Entenda o que está por trás dela e os impactos para o RH.

Flash

Do preguiçoso Garfield com seu café e a clássica frase “Odeio segunda-feira" à “síndrome da música do Fantástico", quando a vinheta de encerramento do tradicional programa de domingo faz lembrar que o fim de semana acabou, o que não faltam são referências sobre o quanto as segundas-feiras podem ser difíceis para alguns profissionais.

A empreendedora Marisa Jo Mayes conhece bem esse sentimento. Recentemente, a americana viralizou no TikTok ao compartilhar o seu método para lidar com a pressão que antecede o início da semana: o bare minimum monday, ou segunda-feira mínima, em tradução livre do inglês. No vídeo de 30 segundos, Marisa explica que reduz os esforços no trabalho no início da semana, realizando apenas as atividades essenciais.

O vídeo, que já acumula mais de 100 mil visualizações, não demorou para viralizar e levar a discussão para redes sociais e manchetes de jornais ao redor do mundo.

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O que é o Bare Minimum Monday? E como ele impacta as empresas e o RH?

Na esteira de outros fenômenos como o “quiet quitting”, que também começou nas redes sociais, o bare minimum monday surge como uma resposta à cultura workaholic que impera para muitas pessoas. Em um dos vídeos sobre o tema, Marisa conta que a segunda-feira mínima começou após pedir demissão de um trabalho que havia lhe causado burnout.

BareMinimumMonday 🤝 the part of me that's dying to be set free from hustle culture

Ao se tornar autônoma, ela diz que percebeu que o problema não era a antiga empresa ou chefe. A raiz do esgotamento e da ansiedade que Marisa sentia às segundas-feiras estava na ‘cultura hustle’, que prega uma vida apressada e excessivamente ocupada, além do perfeccionismo. Por isso, mesmo sem chefe, Marisa sentia que os domingos continuavam assustadores.

Para fugir da pressão de cumprir uma lista infindável de tarefas profissionais, ela criou o que chama de estratégia de prevenção de burnout, ou seja, fazer o mínimo de trabalho possível às segundas. A ideia, segundo Marisa, é focar em duas ou três atividades urgentes do trabalho e intercalá-las com coisas que façam nos se sentir bem, como meditação e exercícios.

Marisa reconhece, no entanto, que fazer menos na segunda pode gerar acúmulo de trabalho nos outros dias da semana, incluindo sábados e domingos. Então, é preciso avaliar prós e contras.

Bare minimum monday e sua relação com a Geração Z

Sylvia Hartman, especialista em novos modelos de trabalho e conselheira de carreira, explica que a cultura “hustle” surgiu no final da Segunda Guerra Mundial, como consequência do american way of life. “Ela encoraja o trabalho árduo e a conquista de bem sociais, associando-os a uma vida feliz”, afirma.

A pandemia de Covid-19, quando muitos profissionais reavaliaram o significado e o papel do trabalho, e a entrada da Geração Z no mercado de trabalho ajudam a explicar por que esse modus operandi está sendo questionado.

Isso porque, enquanto millennials estão mais habituados à cultura hustle, os Genz têm expectativas diferentes em relação ao trabalho e ao que significa sucesso profissional. São eles, então, os mais propensos a aderir a movimentos como o bare minimum monday.

O problema, pontua João Pedro Xaubet, head de Inovação & Tecnologia na APSIS Consultoria, é aderir a movimentos no impulso, sem ponderar prós e contras. “Cerca de 80% das pessoas que se demitiram em outra grande tendência que surgiu recentemente, a chamada ‘Grande Renúncia’, arrependeram-se, segundo um estudo da Paychex, nos EUA.”

Confira abaixo, mais detalhes dessa nova tendência:

Qual é a diferença entre o bare minimum monday e a demissão silenciosa?

À primeira vista, o bare minimum monday e o quitting parecem a mesma coisa. Afinal, ambos surgem com o objetivo de aumentar o equilíbrio entre vida pessoal e profissional e diminuir os impactos negativos do trabalho na saúde mental.

Mas as semelhanças param por aí. Em resumo, a demissão silenciosa ou quiet quitting consiste em fazer o mínimo esperado no trabalho de maneira geral: o objetivo é evitar horas extras e privilegiar a vida pessoal, fugindo da ideia de viver para o trabalho. Já o bare minimum monday tem como foco reduzir o peso do trabalho apenas no início da semana.

“Muitos estão confundindo bare minimum monday com não fazer nada neste dia — e o conceito não é esse. A ideia do movimento está mais ligada a não iniciar a semana já com uma carga enorme de trabalho e menos com não trabalhar ou entregar resultados”, diz João Pedro, da APSIS.

Como as empresas podem lidar com o novo movimento

Os especialistas concordam que um passo importante para as empresas é compreender que a raiz do movimento mora na insatisfação dos profissionais com o modelo de trabalho vigente. E que, portanto, é preciso investigar como tornar essa relação mais motivadora e saudável.

“A questão vai muito além das segundas-feiras. Muitos profissionais desenvolvem suas carreiras em atividades e modelos de trabalho que não atendem às suas necessidades pessoais. Então suas carreiras são dirigidas pelos movimentos de mercado, por decisões de empresas e de outras pessoas, e não representam suas vontades”, diz Sylvia. “É preciso investir em saúde mental e autoconhecimento para reverter a situação”.

Entre as ações que as empresas podem tomar está ampliar os canais de diálogo e investir em treinamentos para capacitar as lideranças e prepará-las para lidar com os anseios dos trabalhadores. Além do principal, que é criar alternativas que estimulem maior equilíbrio entre vida pessoal e profissional.

“Empresas podem repensar os modelos de trabalho, oferecendo mais flexibilidade tanto de horário quanto de local. Atualmente há diversas formas de adequar modelos flexíveis sem impactar resultados, cultura organizacional e colaboração”, diz Sylvia. Nesse contexto, a automação de tarefas repetitivas e manuais pode ajudar a reduzir a sobrecarga dos trabalhadores e ajudá-los a se dedicar em tarefas com mais valor e propósito.

João Pedro pontua que o movimento pode ser positivo tanto para colaboradores quanto para as organizações. Afinal, funcionários com mais equilíbrio entre vida pessoal e profissional tendem a ter menos impactos negativos na saúde mental, algo que está ligado com melhores performances e engajamento dos times.

Porém, ele alerta para que os profissionais não utilizem essas tendências de má-fé. “Os movimentos são genuínos, mas é importante não se aproveitar disso para simplesmente não trabalhar. Esses movimentos podem jogar luz para questões de saúde mental, no entanto, as empresas precisam continuar apresentando resultados”, afirma.

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