Engajamento no trabalho: como motivar colaboradores na era do trabalho remoto

Entenda como o RH pode superar os desafios de engajamento no trabalho híbrido e no home-office

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O trabalho híbrido e o home office trouxeram um novo desafio para o RH: engajar os colaboradores à distância. Se por um lado, estudos mostram que os profissionais não querem abrir mão das vantagens dos modelos flexíveis de trabalho, por outro, o impacto dos novos arranjos já está sendo sentido pelas empresas.

A edição de 2022 da pesquisa O Futuro do Trabalho no Brasil, realizada pela consultoria IDC Brasil a pedido do Google, mostrou que 46% dos profissionais que trabalham remotamente sentem dificuldade em construir relações com colegas e conhecer outras áreas do negócio, uma vez que não estão diariamente no escritório. O estudo ouviu cerca de 900 funcionários de companhias brasileiras de diversos setores.

A comunicação entre colaboradores e organizações, ou a falta dela, torna-se assim um ponto de atenção importante para o engajamento no trabalho. Para 9 em cada 10 profissionais que ocupam os cargos mais altos das organizações, falta cultura e conexão para os colaboradores que atuam remotamente. É o que aponta estudo recente da Airspeed, em parceria com a Workplace Intelligence, que ouviu 1.600 mil funcionários e executivos que adotaram o trabalho remoto ou híbrido em 2022.

Nesse cenário complexo, como oferecer aos colaboradores alternativas que melhorem a comunicação entre os times e, consequentemente, favoreçam a motivação e satisfação profissional?

Investir em tecnologias que possam encurtar distâncias, facilitar a troca de informações, incentivar a integração e contribuir para que os funcionários se sintam uma parte essencial da organização pode ser o primeiro passo.

Engajamento de colaboradores: o que é e qual sua importância

O engajamento não representa apenas o quanto os profissionais trabalham, mas, sim, sua capacidade de estar presente enquanto trabalham.

Essa presença também não diz respeito à questão física, mas sua disposição, paixão e foco durante o trabalho. Colaboradores engajados se sentem parte de um propósito e, não apenas entendem a missão da organização, mas se identificam com ela ao ponto de fazerem dela seu objetivo. É como se eles se tornassem embaixadores da empresa.

“Enquanto a motivação é a energia que faz com que o carrinho se movimente, o engajamento é a mão que lhe dá o direcionamento. As pessoas precisam ter conexão emocional com a empresa e seus objetivos”, afirma Graziele Piva, fundadora da Youniq RH.

O propósito é uma das principais chaves do engajamento. As pessoas querem significado em seu trabalho, querem ser conhecidas pelo que as torna únicas, mas também buscam diálogo aberto e permanente, oportunidades de desenvolvimento e uma liderança que ajude nesse processo de crescimento profissional.

Essa equação, quando equilibrada, reflete-se na motivação que impacta desde a redução nas taxas de absenteísmo até o aumento da retenção de talentos e o fortalecimento da marca empregadora (o employer branding).

Para ter ideia da importância do engajamento no trabalho, a pesquisa “State of the Global Workplace 2022”, um mapeamento global da Gallup que analisou mais de 100 mil empresas em 96 países, estima que companhias com equipes motivadas têm 23% mais lucro do que organizações com funcionários desmotivados. Veja outros impactos do engajamento:

  • 81% menos absenteísmo
  • 14% mais produtividade
  • 18% menos rotatividade
  • 18% mais vendas

Engajamento no Brasil

Com a pandemia, a motivação das equipes se tornou uma preocupação global. O engajamento e o bem-estar mundiais permanecem estáveis, mas não são bons.

A mesma edição do relatório global da Gallup mostra que o progresso anual do engajamento que existia antes da pandemia estagnou. Na média mundial, 21% dos funcionários se disseram engajados com o trabalho em 2021, um ponto percentual a mais que em 2020, mas abaixo dos 22% registrados em 2019.

Na América Latina, o engajamento está acima dessa taxa mundial, mas caiu de 25% em 2020 para 23% em 2021. Sexto no ranking dos 18 países latinos que participaram do levantamento, o Brasil manteve a taxa de 29% entre 2020 e 2021.

Mas, afinal, o que move as pessoas, segundo o estudo da Gallup?

No passado

  • Salário
  • Satisfação
  • Chefes
  • Relatório anual
  • Fraquezas
  • Trabalho

Hoje

  • Propósito
  • Desenvolvimento
  • Mentor
  • Diálogo contínuo
  • Forças
  • Vida

Práticas para engajar no trabalho remoto

A Microsoft analisou cerca de 60 mil funcionários de sua própria equipe entre 2019 e 2020 e observou que, com o trabalho remoto, tanto as equipes de trabalho quanto as comunidades informais (amigos de trabalho) se tornaram menos conectadas.

Colaboradores de diferentes grupos se conectaram 25% menos do que antes da pandemia. Tendo em mente os desafios do engajamento, como a gestão de pessoas à distância pode ajudar as equipes a se conectarem de maneira significativa? Listamos, a seguir, algumas ações para melhorar o engajamento das equipes.

  • Encorajar a socialização mesmo que virtual
  • Facilitar transições profissionais
  • Encorajar as lideranças a manter uma cultura de diálogo e valorização de suas equipes
  • Contribuir para a criação de rotinas que ajudem os colaboradores a compreenderem como fazer suas tarefas de onde quer que estejam
  • Manter os objetivos da organização claros para que os funcionários não tenham dúvidas sobre o que é esperado deles
  • Oferecer canais de apoio para colaboradores que enfrentam problemas de saúde mental e dificuldades de relacionamento

Além disso, iniciativas como a criação de boletins informativos, podcasts e comunidades virtuais para compartilhar informações cotidianas têm funcionado como ferramentas que levam parte da cultura corporativa para o trabalho remoto.

Ludymila Pimenta, mestre em psicologia social, especialista em futuro do trabalho e fundadora da RH Lab, pondera que o momento é de adaptar a estrutura do trabalho às novas necessidades que surgiram com ele.

“A palavra da vez no futuro do trabalho é fluidez. Então a questão é pensar como deixar a forma de trabalho das pessoas mais fluida e onde se encaixa o home office e o trabalho híbrido. E não o contrário: tentar encaixar as pessoas dentro desses formatos. Essa é uma premissa básica para a gente pensar o engajamento”, diz.

Quais fatores contribuem para impulsionar o engajamento?

São muitos os fatores que influenciam o engajamento profissional. Para que as ações feitas por gestores e RH desempenhem seu papel, vale conhecer os principais deles:

Cultura e valores

A cultura organizacional traduz os valores e a missão da empresa e, por isso, tem um papel fundamental para engajar e motivar as pessoas. Por meio dela é que se cria a sensação de pertencimento, que faz toda a diferença na integração de colaboradores e seus times.

Além disso, é a partir dela que nascem ações para aproximar equipes do propósito da empresa, valorizar seu desempenho, fazer investimentos em capacitação e melhorar condições de trabalho, por exemplo.

Com lideranças espalhadas por diferentes cidades como Niterói, São Paulo e Porto Alegre, a Orgânica, empresa que promove a aceleração de negócios por meio da transformação digital, por exemplo, investe na imersão dos colaboradores em sua cultura organizacional.

Para facilitar essa integração, a empresa criou uma academia interna com trilhas de conteúdos que explicam metodologias e facilitam a assimilação das pessoas que estão trabalhando de forma remota. Além disso, a empresa faz rituais semanais para falar sobre projetos, aproximar os times e trazer essa sensação de pertencimento. “Esses momentos têm se mostrado cada vez mais necessários para o fortalecimento dos vínculos”, diz Felipe Ladislau, sócio da Orgânica e mentor de lideranças.

Comunicação e a tecnologia a favor da conexão entre colaborador e empresa

O teletrabalho pode gerar falhas de comunicação. Cabe às lideranças monitorarem esse processo, traduzindo a orientação estratégica da organização com clareza e proximidade. “Se eu não sei para onde estou indo, dificilmente vou me comprometer com esse objetivo”, ressalta Graziele, da Youniq RH.

A promoção de encontros pontuais também pode ser benéfica. Na Orgânica, os eventos presenciais são focados em experiências para fortalecer os laços, sem perder de vista a cultura ou o aprimoramento de soft skills. Em geral, a empresa faz 3 eventos anuais com focos diferentes, como aprendizado, autoconhecimento e estímulo de criatividade. “Permitir que o time compartilhe momentos juntos tem sido fundamental para a construção de um sentimento de grupo, o que facilita muito na hora de gerenciar momentos de crise”, explica Felipe, da Orgânica.

É fundamental também que os gestores se mantenham abertos ao diálogo, saibam dar feedbacks e se mostrem prontos para ouvir o que os funcionários têm a dizer. Neste processo, plataformas de comunicação e engajamento são fundamentais.

Benefícios flexíveis

Já se foi o tempo em que o salário era o único fator que pesava na decisão de aceitar ou permanecer em um trabalho. Cada vez mais, os benefícios têm assumido um papel de destaque na seleção, permanência e engajamento de talentos. Benefícios flexíveis permitem que os colaboradores tenham poder de escolha, o que reflete em mais motivação e produtividade.

Treinamento e desenvolvimento

Investimentos em treinamento, desenvolvimento profissional e uma cultura de aprendizagem e lifelong learning contribuem para que os funcionários se sintam valorizados pela empresa e mais aptos a realizarem seu trabalho. E isso faz toda a diferença na retenção de talentos, principalmente para os profissionais da geração Z.

Ações desse tipo e programas de incentivo servem de estímulo para que os profissionais aprimorem suas habilidades e se sintam aptos para encarar novos desafios no trabalho. Pesquisas mostram que as oportunidades de crescimento profissional fazem toda a diferença na retenção de talentos e também na satisfação deles numa corporação.

Liderança humanizada

Uma das mais recentes descobertas feitas pela Gallup é que o gerente ou líder responde por 70% da variação no engajamento de uma equipe. Não é à toa que preparar as lideranças para a gestão de pessoas à distância é um passo essencial para manter a motivação das equipes. São elas que fazem a ponte entre os colaboradores e a empresa e têm de estar preparadas para perceberem oscilações de motivação de suas equipes.

E criar uma cultura de reconhecimento é essencial para manter um time motivado. Elogios, agradecimentos e comemoração de metas alcançadas são ações eficientes para demonstrar o quanto a participação de cada funcionário é importante para a empresa.

Ofereça também suporte ao colaborador. Não apenas o suporte estrutural, mas também emocional. É importante que o time possa contar com o apoio das lideranças mesmo em dias de tensão e que se sinta livre para opinar e participar do trabalho em grupo.

Como os líderes devem se preparar para gerenciar times remotos

Segundo o relatório Work Trend Index Annual Report, publicado este ano pela Microsoft, que ouviu mais de 30 mil pessoas em 31 países, 85% das lideranças dizem que um dos principais desafios do modelo híbrido é ter certeza de que sua equipe é produtiva. E apenas 12% dessas lideranças afirmam ter certeza de que seu time é produtivo.

Além disso, o levantamento mostrou que os gerentes se sentem pressionados no atual contexto. Mais da metade dos gerentes (54%) afirmaram que os líderes de sua companhia estão fora de sintonia com as expectativas dos funcionários. E 74% disseram não ter a influência ou os recursos necessários para fazer mudanças a favor de sua equipe.

Os dados indicam que é fundamental olhar para o alto escalão das empresas. Gerentes precisam ser capacitados para assumirem o papel de guardiões da cultura organizacional, para repensar o papel do escritório, reconstruir o capital social para uma força de trabalho digital e criar novas práticas para um trabalho flexível que seja sustentável.

Um passo importante é trocar a cultura de comando e controle por uma cultura de foco e gestão por resultados. Substituir a paranoia de produtividade por metas que realmente estejam alinhadas com os objetivos da empresa. Além disso, é fundamental que a liderança assuma a postura de coletar feedback dos funcionários regularmente e, a partir dessa escuta ativa, tomar melhores decisões para o desempenho e o bem-estar de suas equipes.

Esse é o caso da Orgânica. Na empresa, por exemplo, é papel do líder de comunidade perceber as necessidades do grupo e apoiar a empresa na proposição de ações para solucionar problemas assim que eles aparecem. Para facilitar a comunicação à distância, a empresa organizou grupos no WhatsApp com focos específicos: um para projetos, outro para pesquisa e um só para diversão. Outros pontos importantes para as lideranças colocarem em prática são:

  • Compor ambientes flexíveis o bastante para engajar diferentes colaboradores
  • Deixar claro para os colaboradores quando e o porquê precisam ir ao escritório
  • Fazer com que os funcionários se sintam incluídos nas reuniões
  • Criar normas para reduzir o tempo gasto nos encontros online e estimular os colaboradores a não extrapolarem o número de horas trabalhadas no home office
  • Oferecer suporte extra para que os funcionários sintam confiança para assumir novos desafios e fortalecer os laços do time

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