Apesar de maioria no Brasil, representando 56% da população do país, as pessoas negras seguem enfrentando barreiras no mundo corporativo. E o problema da diversidade racial nas empresas fica ainda mais evidente nos cargos de liderança.

Hoje, cerca de 30% dos profissionais pretos e pardos ocupam cargos gerenciais no Brasil, de acordo com o IBGE (Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística), uma disparidade também visível na remuneração: eles recebem salário médio em torno de 40% inferior ao de pessoas brancas.

Essas desigualdades trazem à tona a necessidade de uma revisão nas políticas de equidade nas empresas. E, apesar de uma maior diversidade racial ser responsabilidade de todos os níveis hierárquicos e permear a cultura da organização, os times de RH estão na linha de frente, como formuladores de soluções e de alternativas.

Selecionamos 14 livros que jogam luz sobre o tema. Confira!

1 - Não basta não ser racista: sejamos antirracistas, de Robin DiAngelo (Faro Editorial, 2020)

Um livro para pessoas brancas entenderem que, mesmo acreditando que não são racistas, ainda cometem deslizes, com palavras ou em comportamentos inadequados. Para a norte-americana DiAngelo, negar o racismo impede que o problema seja discutido, silencia quem sofre preconceito e esconde um sentimento que a autora chama de “fragilidade branca”.

Por que ler: o livro é um best-seller internacional e, de acordo com a psicanalista Vera Iaconelli, ajuda pessoas brancas a compreender o tema de um jeito mais consciente, sem ficar na defensiva.

2 - Pequeno manual antirracista, de Djamila Ribeiro (Companhia das Letras, 2019)

Um guia prático para quem quer entender o que é preconceito racial e por que é tão urgente e importante se engajar na luta antirracista. A autora, filósofa e ativista, ensina como rever comportamentos, aprofundar a percepção a respeito de discriminações estruturais e atuar na transformação da sociedade.

Por que ler: Prêmio Jabuti 2020 na categoria Ciências Humanas, o livro de Djamila tem um capítulo intitulado “Transforme seu ambiente de trabalho” que trata da inclusão e da diversidade racial nas empresas.

3 - Como ser um líder inclusivo, de Liliane Rocha (Scortecci, 2017)

Amplamente adotado no mundo corporativo, revela o olhar de quem atuou por 13 anos com sustentabilidade e diversidade em grandes empresas no Brasil e na América Latina e conviveu com líderes inclusivos numa época em que diversidade étnica era novidade no mercado de trabalho.

Por que ler: para conhecer histórias e reflexões da CEO e fundadora da Gestão Kairós, consultoria que está no “101 Top Global Diversity and Inclusion Leaders”. Além de didático, o livro é objetivo, com 80 páginas recheadas de boas dicas e reflexões.

4 - O pacto da branquitude, de Cida Bento (Companhia das Letras, 2022)

Após enfrentar sucessivas recusas em processos seletivos, mesmo tendo formação e qualificação equivalentes às de candidatos brancos contratados para as vagas, Cida Bento passou a investigar os mecanismos por trás dessa desigualdade.

Fundadora do Centro de Estudos das Relações de Trabalho e Desigualdades (Ceert), em suas pesquisas de mestrado e doutorado, a autora identificou um acordo tácito de autopreservação de grupos privilegiados, que ajuda a manter pessoas brancas em posições centrais de poder e influência. A esse fenômeno, deu o nome de “pacto narcísico da branquitude”.

Por que ler: Discutir diversidade racial nas empresas também exige compreender os mecanismos históricos e estruturais que influenciam oportunidades, liderança e acesso a espaços de decisão no mercado de trabalho.

5 - Entre o Mundo e Eu, de Ta-Nehisi Coates (Objetiva, 2015)

Filho de militantes do movimento negro, o jornalista norte-americano Ta-Nehisi Coates conta, por meio de uma longa e apaixonada carta ao filho de 15 anos, uma série de experiências reveladoras que acabam por se transformar em uma profunda reflexão sobre racismo.

Por que ler: recomendado por personalidades como Barack Obama, o livro já liderou a lista do jornal The New York Times. Como roteirista da HQ Pantera Negra, Coates viu suas histórias servirem de inspiração para o fenômeno cinematográfico Black Panther, com Chadwick Boseman.

6 - Mulheres, raça e classe, de Angela Davis (Boitempo, 2016)

“A obra é fundamental para se entender as nuances das opressões”, diz Djamila Ribeiro no prefácio da edição brasileira. Ao abordar a escravidão e o racismo, a autora norte-americana analisa a maneira como o preconceito é capaz de estruturar as sociedades e afirma que o entendimento dessa mecânica é essencial para quem busca um modelo de sociedade mais justo e diversificado.

Por que ler: para conhecer a visão da filósofa, escritora, professora e ativista que, desde a década de 1960, luta pelos direitos das mulheres e da população negra.

7 - O genocídio do negro brasileiro: processo de um racismo mascarado, de Abdias Nascimento (Perspectiva, relançamento em 2016)

A obra desconstrói a ideia de que o Brasil é uma democracia racial e de que o verdadeiro problema das pessoas negras não seria o preconceito, mas sim a pobreza. A partir de uma análise do período da escravidão, o autor expõe as raízes da discriminação e do racismo institucionalizado.

Por que ler: para conhecer a visão de um dos maiores ativistas negros no Brasil, reconhecido pela Unesco por sua luta contra a discriminação racial.

8 - Sim à igualdade racial – Raça e mercado de trabalho, de Luana Génot (Pallas, 2019)

Neste livro, a diretora executiva do Instituto Identidades do Brasil (ID_BR) aborda a desigualdade racial no ambiente de trabalho e dá voz a personagens como executivos, atores, jornalistas, porteiros e domésticas.

Por que ler: para vestir os “óculos da raça”, como diz Luana no prefácio, e se colocar no lugar do outro a fim de realmente entender como a questão racial influencia trajetórias pessoais e profissionais.

9 - Então você quer conversar sobre raça, de Ijeoma Oluo (BestSeller, 2020)

Best-seller mundial, é um guia indispensável para quem quer compreender o tema: o que é exatamente, como funciona, como lidar e como falar de raça de forma eficaz e gentil em casa, com os amigos e no trabalho.

Por que ler: para promover a diversidade nas empresas, em primeiro lugar é preciso refletir sobre o conceito de raça. A escritora e palestrante Oluo é a pessoa certa para esclarecer todas as dúvidas.

10 - Executivos negros: racismo e diversidade no mundo empresarial, de Pedro Jaime (Edusp, 2016)

Quem são os executivos negros? Que cargos ocupam? Quais caminhos percorreram para chegar onde estão? Para responder a essas e outras questões e derrubar o mito da democracia racial, o autor analisou as trajetórias de duas gerações de executivos negros em São Paulo.

Por que ler: o livro venceu o Prêmio Jabuti 2017, na categoria Economia, Administração, Negócios, Turismo, Hotelaria e Lazer.

11 - Racismo estrutural, de Silvio Almeida (Pólen, 2019)

O autor, jurista e filósofo, explica que o racismo não é apenas atitude individual: ele se reproduz nas instituições, nas regras e nas práticas que parecem neutras. Parte da coleção Feminismos Plurais.

Por que ler: ajuda o RH a ver por que processos de seleção, promoção e avaliação podem manter desigualdades mesmo sem intenção explícita, o que ancora a discussão sobre políticas de equidade.

12 - Memórias da plantação: episódios de racismo cotidiano, de Grada Kilomba (Cobogó, 2019)

A psicóloga e artista portuguesa reúne relatos de racismo no dia a dia e analisa como ele marca a experiência de mulheres negras.

Por que ler: ajuda a entender o desgaste de ser “o único” ou “a única” em ambientes de trabalho majoritariamente brancos, que costuma explicar a saída de profissionais negros antes de chegarem à liderança.

13 - Pele negra, máscaras brancas, de Frantz Fanon (Ubu, 2020)

Lançado em 1952, o livro é um clássico do psiquiatra e filósofo da Martinica e fala sobre os efeitos psicológicos do racismo e da colonização, e sobre a pressão para se adequar a padrões brancos.

Por que ler: leitura de base para quem quer entender por que tantos profissionais negros se sentem obrigados a esconder parte de quem são para ocupar espaços de poder.

14 - Racismo recreativo, de Adilson Moreira (Pólen, 2019)

O jurista mostra como piadas e brincadeiras funcionam como forma de manter a hierarquia racial, e por que não devem ser tratadas como inofensivas.

Por que ler: traz exemplos de microagressões que acontecem no cotidiano das empresas e que o RH precisa saber reconhecer e tratar.

No Flash Humanidades, você encontra informações e novidades sobre o mundo do trabalho e temas como diversidade e inclusão.

 

Anacarolina Garcia
Anacarolina Garcia

Jornalista desde sempre (1996, para ser mais exata), atua na área digital como produtora e gerente de conteúdo e planejamento web para grandes marcas.

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