Chegando à marca dos 125 anos de história, não foram poucos os aprendizados da Leão ao longo de sua trajetória. Mas um dos mais importantes, já enraizado na cultura da empresa, é o de que ninguém conhece melhor a organização do que quem cresce por ela.

Danielli Bortolamedi, head de desenvolvimento organizacional e institucional da Leão, conta que quase toda a liderança da companhia é formada internamente. Para a executiva, não à toa, o índice de satisfação interna é de 85%.

Para além do investimento contínuo em formação, a empresa também zerou os custos de saúde, apostando em programas de saúde física e emocional. O resultado? Uma economia que ultrapassa R$ 1 milhão.

“Mais do que um indicador financeiro, esse resultado reforça que investir nas pessoas é uma decisão que gera valor tanto para os colaboradores quanto para o negócio", afirma Danielli. Em conversa com o Flash Humanidades, a executiva aprofunda a estratégia da empresa, que coloca o colaborador no centro das atenções. Leia mais abaixo:

Como a Leão forma líderes internamente

Quase toda a liderança da empresa foi formada internamente e vocês têm um índice de satisfação interna de 85%. Qual a relação entre liderança interna e satisfação dos colaboradores?

Danielli Bortolamedi: Existe uma relação muito direta entre esses indicadores. Quando as pessoas enxergam oportunidades reais de crescimento dentro da organização, elas se sentem mais engajadas, valorizadas e conectadas ao propósito da empresa.

Na Leão, a ascensão profissional não é apenas uma possibilidade, mas uma realidade vivida por grande parte da nossa liderança, o que fortalece a confiança dos colaboradores, amplia o senso de pertencimento e reforça a percepção de que o desenvolvimento de carreira acontece de forma concreta dentro da companhia. O resultado é um alto índice de satisfação interna, sustentado por uma cultura que investe continuamente em pessoas.

A empresa tem 125 anos de história. A formação de líderes sempre esteve na cultura da empresa?

Acreditamos que essa característica está profundamente conectada à nossa cultura. Ao longo dos nossos 125 anos, sempre valorizamos relações duradouras, desenvolvimento de pessoas e construção de conhecimento dentro da organização. Com o tempo, essa prática foi sendo estruturada e fortalecida por meio de programas, trilhas de desenvolvimento e processos sucessórios mais robustos.

Hoje, formar líderes internamente é uma escolha estratégica porque entendemos que ninguém conhece melhor a nossa cultura, nossos valores e nosso negócio do que as pessoas que crescem conosco. Isso não significa deixar de olhar para o mercado, mas sim reconhecer e potencializar os talentos que já fazem parte da nossa história.

Quais aprendizados vieram da aposta em talentos internos?

Um dos principais aprendizados é que o desenvolvimento de lideranças exige continuidade. Não existe formação de líderes sem investimento constante, acompanhamento estruturado e oportunidades reais de crescimento. Por isso, buscamos criar um ambiente que estimule esse desenvolvimento de forma permanente.

Todos os anos realizamos a Academia de Líderes, uma iniciativa dedicada ao fortalecimento de comportamentos e competências fundamentais para o nosso negócio, por meio de workshops, capacitações e momentos de troca entre as lideranças. Mais do que uma ação pontual, ela faz parte de uma jornada contínua de desenvolvimento.

Qual o grande benefício de formar líderes internamente?

Ao longo desse processo, aprendemos também que líderes formados internamente carregam um conhecimento profundo da nossa cultura, dos nossos valores e da forma como fazemos negócios. Isso contribui para decisões mais alinhadas à estratégia da companhia, fortalece a proximidade com as equipes e ajuda a preservar a essência da Leão ao longo do tempo.

Ao mesmo tempo, buscamos complementar esse conhecimento com novas perspectivas e práticas de mercado, garantindo uma cultura que valoriza tanto a continuidade quanto a inovação, sem perder aquilo que nos trouxe até aqui.

Os programas de liderança são contínuos na Leão?

O desenvolvimento de lideranças é um processo contínuo na Leão e faz parte da nossa estratégia de gestão de pessoas. Além da Academia de Líderes, contamos com a Trillio, nossa universidade corporativa, que oferece capacitação para diferentes momentos da carreira, desde posições operacionais até a alta liderança, promovendo o aprendizado permanente e o desenvolvimento de competências técnicas e comportamentais.

Também promovemos iniciativas de proximidade, como o Chá com o RH, encontros periódicos que criam espaços de escuta, diálogo e desenvolvimento, permitindo uma conexão ainda mais próxima entre as equipes e a área de Pessoas.

Nosso papel é justamente criar um ambiente que estimule o aprendizado contínuo e prepare os colaboradores para novos desafios e posições estratégicas. Mais do que programas pontuais, trabalhamos o desenvolvimento como parte da rotina e da cultura da organização, fortalecendo o protagonismo das pessoas em suas jornadas de carreira.

Como a Leão zerou os custos de saúde

Em outra frente importante da área de Pessoas, vocês zeraram os custos de saúde dentro da companhia. Qual foi o ponto de virada para este entendimento?

Como uma empresa que promove bem-estar por meio de seus produtos, entendemos que esse cuidado também deveria fazer parte da experiência dos nossos colaboradores. Por isso, passamos a fortalecer uma estratégia focada em qualidade de vida e cuidado integral, ampliando iniciativas voltadas à saúde física e emocional.

O objetivo não é apenas oferecer suporte quando um problema surge, mas criar condições para que as pessoas cuidem da sua saúde de forma contínua, reduzindo riscos e promovendo mais qualidade de vida.

Essa visão tem gerado resultados importantes para a companhia. Nos últimos dois anos, observamos uma economia superior a R$ 1 milhão em custos relacionados à saúde, resultado que entendemos como consequência de uma gestão consistente, baseada em prevenção, conscientização e promoção do bem-estar.

Que resultados a estratégia de bem-estar já trouxe?

Ao longo dos últimos anos, consolidamos uma estratégia que integra saúde física, saúde mental, desenvolvimento humano e qualidade de vida. O retorno desse investimento aparece de diferentes formas: no fortalecimento do engajamento, nos índices de satisfação interna, na retenção de talentos e na construção de um ambiente de trabalho mais saudável.

Hoje temos um turnover de aproximadamente 17%, considerado saudável para o setor, além de um quadro de colaboradores com trajetórias de longo prazo dentro da companhia. Mais do que indicadores isolados, enxergamos esse retorno na energia das equipes, na produtividade, no clima organizacional e na capacidade de atrair e desenvolver talentos.

Quais são os principais programas da Leão em saúde física e mental?

Nossa estratégia de bem-estar é bastante ampla e contempla diferentes momentos da vida dos colaboradores. Nas unidades industriais, oferecemos iniciativas voltadas à saúde física, como fisioterapia, massagens e auriculoterapia, sem qualquer custo adicional para os colaboradores.

Na frente de saúde mental, contamos com o programa Leão Acolhe, que oferece suporte psicológico de forma sigilosa e acessível a todos os nossos colaboradores. Também desenvolvemos iniciativas voltadas à parentalidade, como os programas Mamãe Serena e Primeiros Passos, que acompanham colaboradores e familiares desde a gestação até o retorno da licença parental.

O objetivo é oferecer acolhimento genuíno e suporte em momentos importantes da vida, contribuindo para que as pessoas se sintam cuidadas dentro e fora do ambiente de trabalho.

Preparação para a NR-1

Estudos mostram que muitas empresas não estão prontas para a regra. A cultura de bem-estar já existente na Leão ajudou na adaptação à norma?

Sem dúvida, o fato de já termos uma agenda estruturada de saúde, segurança e bem-estar contribui para que estejamos mais preparados para esse cenário. A saúde mental já vinha sendo tratada por nós como um tema estratégico muito antes das discussões mais recentes sobre a NR-1.

Isso não significa que o trabalho esteja concluído. Pelo contrário: entendemos que o cuidado com as pessoas exige evolução contínua. Mas ter programas consolidados, processos estruturados e uma cultura que valoriza o bem-estar nos permite avançar com mais maturidade e consistência, sempre colocando as pessoas no centro das decisões.

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Marina Santa Clara
Marina Santa Clara

Jornalista com mais de 20 anos de experiência, é pós-graduada em produção cultural e curadoria de conteúdo pela Belas Artes. Além de colaborar com a Flash, é assessora de imprensa na área de cultura e escreve sobre o assunto em veículos de imprensa.

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