Promessas de vagas com salários atrativos, processos seletivos conduzidos exclusivamente por mensagens e exigências mínimas para a contratação: esse é o cenário típico do chamado golpe do falso emprego, cada vez mais comum em todo mundo com a digitalização dos processos de recrutamento.
Segundo a FTC (Federal Trade Commission), agência responsável por proteger os consumidores e garantir a concorrência justa nos Estados Unidos, fraudes envolvendo oportunidades de trabalho já ocupam o segundo lugar no ranking global de golpes aplicados por mensagens — atrás apenas das tentativas de extorsão emocional. Segundo o órgão, em 2024, os consumidores relataram perdas de US$ 470 milhões devido a golpes por mensagens de texto.
No Brasil, o reflexo desse cenário não é menos preocupante. Cerca de 29 mil golpes foram registrados apenas em anúncios de vagas, segundo levantamento da OLX, realizado entre janeiro e maio de 2022.
O problema atinge pessoas de todas as idades, mas, de acordo com a FTC, as gerações Z e millennial são as mais vulneráveis aos golpes por estarem mais expostas ao ambiente digital e por buscarem mais empregos remotos.
Se o cenário já não fosse suficientemente grave para quem busca emprego, o RH também precisa se preocupar para não perder potenciais candidatos ao serem confundidos com golpistas.
Em outras palavras, diante de um mercado tão turbulento, profissionais de RH precisam adotar estratégias claras e transparentes para transmitir credibilidade e evitar qualquer semelhança com ações criminosas.
“A segurança nos processos seletivos é uma responsabilidade compartilhada. RHs, empresas e profissionais precisam caminhar juntos para manter o mercado mais seguro e confiável para todes. O futuro do recrutamento será cada vez mais digital, mas é essencial que venha acompanhado de ética, clareza e humanização em cada etapa”, afirma Luana de Paula, sócia e Head de Negócios e Growth Marketing da Cia de Talentos, maior consultoria de educação para carreira da América Latina.
Entenda o que é o golpe do falso emprego
Em geral, o golpe começa com uma abordagem informal feita por WhatsApp, SMS, Telegram ou e-mails pessoais, oferecendo uma vaga “irrecusável”, com salário acima da média e poucos requisitos.
A partir daí, os criminosos solicitam pagamentos para supostos exames admissionais ou treinamentos, além de dados como CPF e informações bancárias. Então, os golpistas se aproveitam da vulnerabilidade de candidatos em busca de recolocação para extorquir dinheiro ou coletar dados pessoais.
“Quando o recrutador manda um texto muito padrão e é uma vaga para a qual você não se candidatou, já comece a desconfiar. Se não há entrevista por vídeo, se há cobrança por exames ou treinamentos, descarte. Isso é golpe”, alerta a headhunter Jaqueline Mello, fundadora da Employ Consultoria, especializada em recrutamento.
Como o RH pode se diferenciar de golpistas?
Com o uso da inteligência artificial, essas mensagens ganham uma aparência cada vez mais convincente, o que dificulta ainda mais a identificação da fraude.
Por isso, o cuidado precisa ser redobrado. “Recrutador sério mostra de onde está falando, compartilha o link da vaga, informa o nome da empresa e deixa espaço para ser verificado”, ressalta Jaqueline.
A credibilidade começa no primeiro contato, mas deve ser mantida ao longo de todo o processo de seleção. “O recrutador deve se colocar à disposição, explicar o processo, falar da empresa com propriedade e oferecer canais seguros para que o candidato possa confirmar tudo”, afirma Andréa Felgueiras, gerente de marketing para atração de talentos do ManpowerGroup Brasil, empresa global de soluções em RH.
Segundo a especialista, algumas práticas são fundamentais para que o RH se diferencie de golpistas logo nas primeiras interações:
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Divulgar vagas sempre em canais oficiais, como o site da empresa e redes sociais verificadas;
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Apresentar-se de forma clara, informando nome, cargo e como teve acesso ao perfil do candidato;
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Deixar explícito que o processo é gratuito e não envolve cobrança de taxas;
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Utilizar e-mails com domínio corporativo, com link direto da vaga para validação;
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Manter um tom de voz profissional, evitando erros de linguagem e abreviações.
Ética, transparência e humanização: os pilares do RH digital
Se, por um lado, a transformação digital trouxe ganhos inegáveis para os processos de recrutamento, por outro ela exige que as empresas invistam também em reputação e segurança.
“Ter um site atualizado, divulgar depoimentos reais de candidatos e participar ativamente de redes como o LinkedIn são formas de fortalecer a marca empregadora”, destaca Luana.
A executiva também ressalta que práticas como não solicitar documentos antes das etapas formais da entrevista e educar os candidatos com informações públicas sobre como identificar tentativas de golpe contribuem para uma abordagem mais segura e confiável: “Informação e atenção são as melhores defesas contra qualquer tipo de golpe”.
Sou candidato: como não cair em golpes?
Além do cuidado por parte do RH, os próprios candidatos precisam estar atentos a sinais de fraude. As três especialistas ouvidas para esta reportagem reforçam os principais pontos de atenção:
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Nunca pague para participar de processos seletivos;
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Desconfie de vagas com salários muito acima do padrão de mercado;
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Pesquise a empresa, o nome do recrutador e confirme a existência da vaga em canais oficiais;
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Não envie documentos por e-mail ou aplicativos de mensagens sem antes verificar a veracidade da proposta. Uma empresa séria não terá problemas em ajudá-lo a confirmar a vaga;
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Sempre que possível peça para realizar entrevistas por vídeo e confirme a identidade do recrutador.
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Ana Paula Sousa é jornalista formada pela Faculdade Cásper Líbero e pós-graduada em Gestão de Imagem e Branding pela Universidade Anhembi Morumbi. Atua há mais de 20 anos na área de comunicação, com passagens por redações de jornais como Folha de S.Paulo e de revistas das editoras Abril e Globo. É especialista em estratégia de conteúdo, SEO e branding, com certificações em copywriting, storytelling e UX writing.






