A flexibilidade deixou de ser benefício e passou a ser fator de atração, retenção e bem-estar no trabalho. Em 2025, a McKinsey apontou que o modelo híbrido tende a ser o preferido, especialmente entre trabalhadores de escritório, embora as preferências variem bastante por setor e ocupação.

No Brasil, uma pesquisa da FIA Business School e FEA USP, com dados coletados em novembro de 2024, mostrou que 94% dos profissionais acreditam que o trabalho remoto melhorou suas vidas. O estudo ouviu mais de 1.300 trabalhadores de diversos setores.

E, apesar de a volta aos escritórios em massa a partir de 2025, os dados mostram que a percepção dos trabalhadores segue parecida à de anos anteriores. De acordo com o Índice de Tendências do Trabalho da Microsoft, de 2022, 71% dos trabalhadores brasileiros estão mais inclinados a colocar sua saúde e bem-estar acima das exigências profissionais do que antes da pandemia de Covid-19.

A 15ª edição do guia salarial da Robert Half de 2023 também apontou que 43% dos profissionais valorizavam mais os benefícios da flexibilidade no trabalho do que o próprio salário ao avaliar uma oportunidade de emprego.

Nesse cenário, Fernando Mantovani, diretor-geral da Robert Half, no lançamento do estudo, falou da importância do trabalho híbrido. Isso porque a priorização da qualidade de vida e do bem-estar tem se destacado mais do que nunca.

Continue a leitura e entenda como essa realidade pode contribuir para a retenção de talentos e a satisfação dos colaboradores na sua empresa.

Engajamento é melhor no home office

Além de atrair colaboradores, o trabalho remoto se consolidou como o formato que mais motiva os profissionais brasileiros: 47% dos que atuam em home office estão engajados, contra 42% no híbrido e 37% no presencial, revelou o Engaja S/A 2025, estudo realizado pela Flash e que faz um retrato do engajamento do trabalhador brasileiro.

Apesar disso, dados do estudo também mostram que há uma baixa quantidade de empresas que ainda oferecem a flexibilidade do trabalho remoto. Em 2025, apenas 8% dos profissionais ouvidos pela pesquisa trabalham em home office em tempo integral, enquanto a esmagadora maioria (73%) está no modelo presencial.

Para ter uma ideia, na primeira edição deste índice, em 2023, 52% estavam trabalhando 100% no modelo presencial, enquanto 14% trabalhavam de casa.

Embora a falta de envolvimento no formato presencial tenha se repetido desde a primeira edição do estudo, a queda de engajamento de dez pontos percentuais dos trabalhadores

híbridos surpreende. Entre as razões para o recuo está um conjunto de fatores, como a ambiguidade de regras, o viés de presença e um maior esforço para alinhar agendas, organizar reuniões e manter a coesão da equipe que vai apenas alguns dias ao escritório.

Candidatos rejeitam trabalhos pouco flexíveis

Recrutadores da Robert Half destacam que, muitas vezes, a primeira pergunta dos candidatos em entrevistas é sobre o modelo de trabalho adotado pela empresa. Uma parcela, inclusive, desiste de participar de processos seletivos caso a empresa não tenha flexibilidade no trabalho.

Híbrido vira opção

Ao contrário da visão de alguns empresários, a flexibilidade é percebida como um aspecto importante para muitos trabalhadores.

Tanto que no contexto pós-pandemia, 42% das empresas chegaram a relatar a perda de colaboradores devido à decisão de retornar ao modelo presencial.

Uma realidade que fortaleceu o trabalho híbrido, especialmente em setores onde é possível flexibilizar as normas. Maíra Blasi, professora, palestrante e fundadora da consultoria Subversiva, faz uma reflexão importante: os profissionais devem ponderar o que é mais prioritário em suas vidas. "Pode ser o dinheiro em determinado momento, ou a flexibilização. Mas por que não ambos? Por que a gente tem de estar sempre nessa visão de escassez e de restrição?"

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Equilíbrio entre carreira e vida pessoal

A busca por um maior equilíbrio entre a vida pessoal e profissional se tornou uma prioridade evidente para os trabalhadores.

O trabalho em casa tem sido uma solução eficaz. Um estudo da plataforma de empregos Indeed, que consultou mais de 700 profissionais brasileiros, revelou que 53% desejam que as empresas ofereçam mais opções de trabalho flexível.

Entre os participantes da pesquisa, 49% relataram que o trabalho remoto durante a pandemia permitiu que passassem mais tempo com suas famílias e 32% observaram um melhor equilíbrio entre trabalho e vida pessoal.

A flexibilidade no trabalho pode fazer com que a vida dos colaboradores seja mais harmoniosa, permitindo-os dedicar tempo à atividade física e outras práticas de bem-estar.

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