O último dia de programação do Palco Flash Humanidades deu espaço para um o que temos de mais valioso no Brasil, nosso DNA. Os painéis reuniram grandes empresas brasileiras, como Petrobras, Starian, Sabin e Athena Saúde.
No painel “RH com DNA Brasileiro”, Lilian Soncin, head de RH da Petrobras, e Alejandra Nadruz, CHRO da Starian, responderam à “pergunta de milhões” feita por Lucas Pirito, head de pessoas da Flash: “Qual é a maior fortaleza brasileira para construir RH?”
Lilian, que está há duas décadas na companhia do setor de energia, elencou a diversidade, um dos valores da Petrobras, e a criatividade como os principais pontos. “A criatividade vem como pensar sempre um jeito diferente de fazer as coisas, propor e ter ideias, e a diversidade como potência, porque ela é a base da inovação.”
Alejandra, executiva uruguaia de “alma brasileira” — ela mora e trabalha no Brasil há 16 anos e é mãe de dois brasileirinhos, como contou — chamou atenção para o resgate ao orgulho; e a importância de reconhecer nossa própria produção.
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Lucas Pirito, head de Pessoas da Flash, Lilian Soncin, head de RH da Petrobras e Alejandra Nadruz, CHRO da Starian [Foto: Will Sandrini]
À frente do RH da Starian, spin-off da Softplan, empresa de software nacional, ela diz que o país tem características muito particulares. “Tendo a olhar o RH com esse DNA brasileiro com olhos muito mais amigáveis do que vocês mesmos se olham. Precisamos assumir que somos extraordinários no Brasil.”
Ela cita como diferencial, por exemplo, a capacidade de se adaptar dos brasileiros. Na percepção dela, essa é uma grande vantagem competitiva em relação aos RHs de outros países. “O Brasil é muito dinâmico na economia, na orientação política [...] Essa mudança constante gera uma capacidade de adaptabilidade incrível. Neste mundo que está mudando constantemente, essa capacidade é brilhante e precisamos conservar. E, outra coisa, sabemos trabalhar muito bem com escassez. No RH, não sobra. Sempre estamos com o orçamento reduzido. E fazemos acontecer.”
Questionada sobre como aproveitar nosso DNA na cultura organizacional, Lilian contou que na Petrobrás isso tem sido feito a partir do tema diversidade. De acordo com ela, o ciclo dos projetos na indústria é longo, especialmente quando a área de atuação é energia. As carreiras, portanto, são mais longevas. Ao mesmo tempo há uma necessidade de acelerar as inovações num mundo de transformações complexas.
“Fizemos uma escolha de trazer um posicionamento para a mesa, que é diversidade conectada com estratégia e inovação. Esse posicionamento comunicou que a complexidade se torna uma potência; e gerou sinais importantes para dentro da companhia. Fomos desde as políticas de RH às metas associadas à remuneração. Para nossa felicidade, a pesquisa interna indicou que 80% dos 43 mil empregados disseram que diversidade é importante para o futuro da Petrobras", disse a executiva.
Ao falar sobre cultura organizacional, Alejandra defendeu o equilíbrio entre padronização e respeito às diferenças. “Padronizar fica mais fácil de gerenciar, mas matamos a cultura na ponta, e isso é o pior que podemos fazer”, falou. Sua tática é criar uma "camada de inegociáveis". Na Starian, por exemplo, ética, respeito e compliance permeiam toda a empresa.
Durante o painel, a dupla também comentou sobre a mudança na relação das novas gerações com o trabalho. “Antes vivíamos para trabalhar, e agora trabalhamos para viver. Essa é a chave da nova relação [com o trabalho]”, resumiu Alejandra. Já na Petrobras, Lilian contou que o tensionamento entre cinco gerações convivendo levou a empresa a criar um programa de mentoria bidirecional entre líderes e liderados.
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Palco Flash Humanidades durante o painel “RH com DNA brasileiro” [Foto: Will Sandrini]
Um chamado à evolução
Qual o caminho para que os RHs e os CEOs falem a mesma língua, em especial no Brasil, onde 51% dos comitês executivos ainda não tem uma cadeira para o diretor da área de gestão de pessoas? Foi essa pergunta que Lídia Abdalla, CEO da Sabin, e Rodrigo Ladeira, VP de Qualidade da Athena Saúde, responderam no Palco Flash Humanidades, ao debater os resultados da pesquisa proprietária “A visão dos CEOs sobre o RH”, feita em parceria com a FIA Business School.
No painel “Onde a estratégia encontra a humanidade: como alinhar a agenda de CEOs e RHs”, mediado por Giovana Veronese, Head de Remuneração Total, Dados e Departamento Pessoal da Flash, a dupla deixou um ponto claro desde o ínicio: os resultados da pesquisa devem ser vistos como um chamado para a evolução.
Lídia entendeu o dado de que apenas 2 a cada 10 CEOs recomendam seu RH como um reflexo da falta da participação do RH na operação. “Precisamos de uma liderança de RH preparada, que esteja junto do CEO pensando qual negócio precisamos para o futuro. Para isso, tem que entender muito a fundo da operação. Essa foi a sinalização da pesquisa.”
“Vejo na pesquisa uma prestação de serviço ao RH”, completou Rodrigo. Ele defendeu que ser mais estratégico é ser mais humano, e usou o case da Athena Saúde como exemplo: em 6 anos, eles cresceram de 25 para 10 mil colaboradores, incorporando 57 centros médicos, 14 hospitais e 8 operadores de saúde. O segredo para dar certo? Respeitar as histórias dos novos colaboradores e aprender com elas.
Lídia também recordou um momento desafiador: quando precisou abrir todas as unidades do grupo durante um feriado. A decisão difícil, porém estratégica, se transformou em um reforço da cultura e engajamento com auxílio da área de recursos humanos. “Nosso RH está junto nas decisões difíceis. Para trazer também leveza, empatia, cuidado.”
Ao falar sobre o futuro, os dois convergiram ao dizer que a tecnologia não tira protagonismo do RH. “É a era do protagonismo da área de recursos humanos”, afirmou Rodrigo. Já Lídia resumiu o recado que atravessou os três dias do Palco Flash Humanidades: “Tecnologia é sempre o meio. O início e o fim são pessoas, e o futuro será ainda mais humano.”
Cultura não é discurso, é prática
A brasilidade também pautou outra conversa. Carolina Zwarg, CHRO da L’Occitane, esteve no painel “Como construir uma marca que encanta talentos e consumidores”, ao lado de Érika Fagundes, head de People da Flash.
A multinacional francesa possui uma subsidiária nacional, a L’Occitane au Brésil, que hoje é considerada um case pelo grupo por “celebrar a brasilidade com um jeitinho francês", como definiu Érika.
“Quando olhamos para princípios, valores e tomadas de decisão, estamos sempre olhando o que queremos gerar na ponta. Como trabalhar isso dentro de casa? Como encantar as pessoas que entram para trabalhar conosco?”, provocou Carolina.
Sobre as estratégias para encantar clientes e funcionários, Carolina disse que tudo começa internamente: “Se não geramos esse encantamento dentro de casa, nunca vamos impactar na ponta”. Como exemplo prático, ela cita o onboarding da empresa, que começa com um spa de mãos, a mesma experiência oferecida ao cliente final nas lojas.
Carolina também defendeu que cultura só existe quando vira prática, não discurso.
“Falamos muito que valorizamos os colaboradores de loja. O que é fazer isso, na prática? É todo o escritório trabalhar nas lojas no Natal”, contou, citando um programa da L’occitane, que leva os colaboradores do escritório às lojas no período.
O dado mais contundente da conversa, porém, veio do turnover do varejo. “Eu saí de um segmento com 11% de turnover [ela atuava no mercado de seguros] para um de 78%”, disse Carolina, que hoje lidera um programa de desenvolvimento de carreira para reverter o número — sua meta é reduzi-lo em 10 pontos percentuais neste ano, e diminuir ainda mais nos próximos.
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Carolina Zwarg, CHRO da L’Occitane, e Érika Fagundes, head de People da Flash, durante o painel “Como construir uma marca que encanta talentos e consumidores” [Foto: Will Sandrini]
Outros destaques do Palco Flash Humanidades
Encerrando a participação no CONARH, o Palco Flash Humanidades levantou uma pergunta que já rondava o evento desde o primeiro dia: o que a IA deixa para trás na gestão de pessoas? No painel “A IA matou o pipeline de sucessão? O futuro da liderança na era da automação”, Joceline Lopes, diretora de RH da Numen, e Marcela Martins, diretora de RH da Smartfit, debateram, sob mediação da jornalista Patrícia Basílio, se os modelos tradicionais de formação de líderes ainda fazem sentido em times compostos por humanos e IA.
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Joceline Lopes, diretora de RH da Numen, Marcela Martins, diretora de RH da Smartfit e Patrícia Basílio, jornalista, no Palco Flash Humanidades [Foto: Will Sandrini]
Para fechar a programação com a mão na massa, Edney Souza, o InterNey, promoveu sua terceira e última oficina de “Como construir seu agente de IA”. O momento foi um convite para que o público saísse do evento não só com reflexões sobre o futuro do trabalho, mas com uma ferramenta prática para aplicar na próxima segunda-feira.





