Inteligência artificial, gestão de pessoas estratégica, múltiplas gerações coexistindo no trabalho, novas regras da NR-1. Essas foram algumas das “nóias de RH” discutidas no painel conduzido por Camila Fremder, criadora do podcast “É Nóia Minha?”, no Palco Flash Humanidades durante a 52ª edição do CONARH.

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“Sei RH é uma área bem noiada”, disse Camila Fremder, em tom de brincadeira, ao abrir a arena ao lado de Maíra Blasi, fundadora da Subversiva, e Léo Kaufmann, diretor de conteúdo do RH Summit. “Vamos tirar todas essas nóias hoje.”

A primeira cisma tratada por Fremder foi o avanço da inteligência artificial. “Não tem como não começar com a questão da IA. Eu sou muito noiada com a IA, só uso para fazer perguntas aleatórias e me sinto culpada de estar gastando água.”

dia-1-conarh-2026-palco-flash-humanidadesCamila Fremder, criadora do podcast "É Nóia Minha?", Léo Kaufmann, curador do RH Summit, e Maíra Blasi, fundadora da Subversiva

“Está a maior nóia com a IA. Toda semana é uma coisa diferente. Quando você aprendeu uma coisa, já é outra. O RH está em uma situação desafiadora. Mas, o Brasil não é o Vale do Silício. Temos de organizar o que é nóia nossa e o que estamos emprestando de fora. Em vez de pegar os problemas crônicos do RH e entender se a IA resolve, estamos colocando metas para usá-la e jogando um ‘granulado’ por cima para parecer que somos tecnológicos”.

Ao falar da tecnologia, Léo foi categórico. “Tem todo esse medo de vários gurus de internet de que a IA vai substituir o RH. Precisamos ter senso crítico para separar o que é falácia e o que se aplica ao dia a dia. Não é sobre qual IA eu vou usar, mas qual problema eu tenho que a IA pode resolver”.

“Estratégico” virou sobrenome

Além da IA, outra polêmica que surgiu no debate foi a do RH estratégico. “Afinal, o que isso quer dizer?, provocou Camila. “Estratégico virou o sobrenome do RH, algo para pressionar ainda mais uma área já pressionada”, afirmou Léo.

Na visão dele, ser estratégico não é uma posição na hierarquia, um cargo, mas uma forma de encarar o trabalho: “Ser estratégico é ter uma visão do seu trabalho. E isso não é medido pela distância da cadeira de diretoria", completou.

A geração Z não quer trabalhar. Será mesmo?

Existe uma máxima recorrente no mercado: a Geração Z não gosta de trabalhar.

“Se você é jovem e não está meio revoltado, você é cafona”, provocou Maíra, rebatendo o clichê e lembrando que a Geração Z representa hoje a maior fatia de jovens empregados da série histórica. Léo foi na mesma direção: “a geração Z não quer trabalhar? Ou ela não quer trabalhar para você?”.

Ao abrir para perguntas da plateia, um ponto em comum apareceu: o que é ser um bom líder? Para Léo é alguém que tem capacidade de escutar. Maíra acrescentou: “É muito reducionista pegar um problema complexo e falar que é responsabilidade de um líder tóxico”.

Léo observou que um gestor hoje, além de ser capaz de ouvir o time, precisa enxergar quando há desafios, como sobrecarga, o que não é simples, pois não fomos preparados para liderar. “Temos uma geração inteira que virou líder porque era a única forma de ganhar mais.”

Outros destaques do Palco Flash Humanidades

Depois do bate-papo com Fremder, foi a vez do painel “O que o RH precisa saber sobre a nova era da informação”.

A conversa, que marcou o lançamento oficial do Flash Humanidades, foi conduzida por Pedro Lane, fundador e COO da Flash, ao lado de Mafoane Odara, psicóloga e especialista em cultura, e Mariana Achutti, CEO e fundadora da NewNew.

mafoane-pedro-mariana-CONARH-2026Pedro Lane, fundador e COO da Flash, Mafoane Odara, psicóloga, fundadora da Odara Educação & Inovação e articulista do Flash Humanidades e Mariana Achutti, fundadora da NewNew 

Juntos, eles discutiram a importância de diferenciar conteúdo de conhecimento e do crivo humano em tempos de inteligência artificial e pasteurização da informação.

“O que vivemos hoje é a crise da atenção”, afirmou Mariana. Para ela, o excesso de conteúdo raso nas redes sociais fez o mercado perder o hábito de ir a fundo em um assunto. É preciso reverter essa lógica. “Se a informação está disponível para todo mundo, é preciso reduzir o volume de conteúdo e aumentar a curadoria”, diz ela, citando uma entrevista que concedeu recentemente ao Flash Humanidades.

Já Mafoane pontuou que a tecnologia não vai deixar de existir, então o nosso exercício é entender como vamos usá-la a nosso favor. “Qual é o papel da IA para que ela nos ajude a pensar melhor? Não é dizer: não use a inteligência artificial, mas como ela nos ajuda a detalhar aquele pensamento que construímos?”

Ela também defendeu que a pausa como estratégia deliberada, não acidental, é uma tendência para quem deseja navegar nas complexidades do mundo atual. “Buscar esses momentos de pausa é o que eu tenho visto de mais inovador no mundo inteiro”.

“O que fazemos com o tempo que a IA libera é o que nos tornará protagonistas da nossa história”, completou Mariana.

A mediação terminou com uma síntese de Pedro: “A palavra que fica aqui é repertório. O que se constrói com tempo, experiência e curadoria.”

Lançamento de estudo inédito

O 1º dia de CONARH também teve o lançamento da 4ª edição do “Panorama da Saúde Emocional do RH”, estudo conduzido pelo Flash Humanidades. O painel, apresentado por Isadora Gabriel, CHRO da Flash, recebeu Natália Mauad, CHRO da Renner, para apresentar as principais descobertas do relatório.

isadora-gabriel-CONARH-2026-primeiro-diaIsadora Gabriel, CHRO da Flash, durante o painel de lançamento da 4ª edição do Panorama da saúde emocional do RH

Com mais de 1.000 profissionais da área ouvidos, a pesquisa mostra uma melhora nos indicadores de saúde emocional do setor: 61% dos RHs afirmam conviver com alguma questão relacionada ao tema, ante 72% em 2025.

Isadora pondera, no entanto, que o avanço não significa que a rotina ficou mais leve: “A sensação é que a nossa carga operacional teve uma pequena diminuição, o que não quer dizer que o nosso trabalho está menos complexo”, diz a CHRO, apontando o aumento do uso de IA no trabalho como uma das hipóteses do cenário — hoje, 87% dos RHs afirmam usar inteligência artificial no cotidiano.

“Nosso trabalho está mais estratégico”, completa Natália. “Mas há, sim, uma sobrecarga. Sobretudo nesse momento de implementação da tecnologia.”

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O Palco Flash Humanidades ainda tem dois dias de programação pela frente.

Nesta quarta-feira (19), Drauzio Varella sobe ao palco para falar sobre os sinais físicos do esgotamento, e Rodrigo Souto, CHRO da IBM, discute os dados da 3ª edição do Engaja S/A ao lado de Renata Simioni, do Grupo Boticário. Já na quinta (20), o destaque fica com a pesquisa “A Visão dos CEOs sobre o RH”, debatida por Rodrigo Ladeira, da Athena Saúde, e Lídia Abdalla, da Sabin.

Toda a programação é transmitida gratuitamente pelo YouTube, para quem não estiver no São Paulo Expo. Inscreva-se para acompanhar ao vivo.

Mariana Arrudas
Mariana Arrudas

Jornalista formada pela USP, atuou como repórter na Folha de S.Paulo e editoria de especiais no Grupo Perfil. É repórter do Flash Humanidades, onde cobre recursos humanos, financeiro e carreira.

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