Em 2025, aos 82 anos, Drauzio Varella completou a tradicional Maratona de Berlim. Um ano depois de concluir o marco, o oncologista subiu ao Palco Flash Humanidades para dar um chacoalhão não só no RH, mas em todos nós: o que temos de mais precioso é o nosso corpo. “Sem corpo, não tem filhos, pais, trabalho, nada. Você morre. Você tem que encontrar um caminho.”

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Na palestra magna “A biologia do esgotamento: o que a medicina ensina sobre bem-estar no trabalho”, o médico, referência no Brasil quando o assunto é saúde, repercutiu dados da 4ª edição do “Panorama da Saúde Emocional do RH”, estudo conduzido pelo Flash Humanidades em parceria com o RH Summit.

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Drauzio Varella em sua palestra magna no Palco Flash Humanidades

Segundo a pesquisa, que ouviu mais de 1000 profissionais de recursos humanos, 61% dos RHs tiveram alguma questão de saúde mental no último ano, enquanto 40% dizem sofrer com transtorno de ansiedade. “Os números dessa pesquisa são muito assustadores”, disse. “O trabalho ficou muito pesado e estamos submetidos a uma quantidade de estímulos absurdos. Se você junta os filhos, o moleque que vai mal na escola, a menina que tem crise de ansiedade aos 10 anos, a vida fica um resolver problemas o tempo inteiro”, disse o médico, reforçando que o ponto mais importante é entender como lidar com as pressões do dia a dia e que isso não é igual para todo mundo. Cada um precisa encontrar a sua válvula de escape. Para ele, por exemplo, é a corrida. “Eu gosto? Odeio. Eu gosto de acordar, tomar café, ler o jornal. Eu faço isso porque dessa forma eu consigo lidar com a minha ansiedade.”

Sobre o trabalho, Drauzio pontuou que os líderes vêm ganhando um papel importante, tendo responsabilidade em relação às questões emocionais da equipe e demonstrando abertura para que as pessoas não escondam.

“Todo mundo, ou a maioria, trabalha em equipe. De repente, você começa a sentir um desânimo profundo ou uma ansiedade. Isso começa a atrapalhar seu rendimento. Nas empresas antigas, demitia-se. Já as empresas modernas entenderam que isso não é a melhor solução. A pessoa sempre trabalhou bem, conhece a cultura, relaciona-se com os outros. A premissa é como vamos ajudá-la a sair desse quadro. Esse é o universo que vocês vivem. A gestão hoje implica diálogo.”

Com alertas duros, o médico reforçou a importância de identificar os sinais de estresse e esgotamento cedo, e sem se culpar. “Não é vergonha buscar ajuda. Procure ajuda logo, na fase inicial. É aí que você tem a possibilidade de resolver o problema de um jeito mais simples”, afirmou, reforçando a tese que abriu sua fala: cuidar do corpo — e da mente — não é luxo, é o que sustenta todo o resto.

RH sem “juridiquês”

Após o papo com Drauzio, o Flash Humanidades levou Arena Sulamérica uma conversa entre Thiago Valente, diretor jurídico da Flash, e Fabio Medeiros, advogado e sócio do Lobo de Rizzo Advogados e articulista do Flash Humanidades.

No painel “PAT versus CLT: o que diz a nova legislação de benefícios”, os dois tiraram as principais dúvidas que rondam as atualizações do PAT e do o auxílio-alimentação da CLT. Um equívoco, segundo Medeiros, é achar que as restrições ao rebate e aos SVAs (serviços de valor agregado) valem só para empresas inscritas no PAT.

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Thiago Valente, diretor jurídico da Flash, e Fabio Medeiros, sócio e advogado do Lobo de Rizzo Advogados

“Tudo aquilo que se fechou no PAT acabou sendo replicado para o auxílio-alimentação da CLT”, explicou. Isso quer dizer que o empregador não pode receber nenhum tipo de vantagem comercial direta ou indireta na contratação, esteja cadastrado ou não no Programa de Alimentação ao Trabalhador.

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O advogado ainda citou uma pesquisa da Flash encomendada ao Datafolha, que identificou a cesta de Natal e o custeio de festas de fim de ano entre os benefícios indevidos mais comuns hoje. De acordo com os dados, 80% das empresas brasileiras recebiam ofertas de rebate de operadoras antes das novas regras; apesar disso, apenas 37% aceitam o rebate como condição para a contratação — a maioria das empresas têm preferência por outros critérios, como flexibilidade, variedade e taxas baixas.

“Não existe almoço grátis neste mercado de benefícios. Se não houver uma regulamentação exigente, alguém paga no final, e quem acaba pagando é a sociedade”, disse Medeiros.

O advogado reforçou a importância de ter apoio jurídico nesse cenário, especialmente para líderes de RH que têm diversos tipos de ofertas na mesa. “Com ações trabalhistas, fiscalizações da receita federal e o Ministério Público do Trabalho olhando com atenção tudo o que é pagamento e benefício, contar com análise jurídica é o que garante tranquilidade para defender o que escolhemos.”

Flash Humanidades patrocina palestra global de Kasley Killam em espaço exclusivo do CONARH

Conexão deixou de ser um tema só de clima organizacional. Foi essa a provocação por trás do painel global, promovido pelo Flash Humanidades em parceria com a ABRH-Brasil, “Da Conexão ao Pertencimento: A Saúde Social no Futuro da Gestão”, que trouxe Kasley Killam, criadora do conceito de saúde social, ao Grande Auditório do CONARH.

Em sua fala de abertura para receber a autora best-seller e pesquisadora de Harvard, a CHRO da Flash Isadora Gabriel contou que esteve no SXSW, em Austin (EUA), duas vezes assistindo a Kasley Killam. “Na Flash, buscamos ser parceiros que ajudem a construir o futuro do trabalho, a refletir caminhos e a tirar nossa área do papel operacional. Tenho certeza que a Kasley vai trazer profundidade para esse debate."

Durante sua palestra magna, que abriu o segundo dia da arena de congressistas, a especialista defendeu a saúde social como um pilar de saúde tão fundamental quanto a física e a mental. “As pessoas estão buscando fortalecer suas conexões. No ano passado, a OMS declarou a saúde social como uma prioridade global. Isso significa que agora podemos começar a investir nesse assunto que irá beneficiar a todos nós.”

Na visão dela, o tema será determinante para que empresas conquistem vantagem competitiva e reduzam os altos custos do desengajamento.

“57% dos colaboradores brasileiros não se sentem engajados e 11% estão ativamente desengajados. O custo de turnover chega a R$ 77 bilhões de reais”, disse Kasley, citando os resultados da 3ª edição do Engaja S/A, estudo conduzido pelo Flash Humanidades em parceria com a FGV EAESP.

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Depois de citar os dados, Kasley pontuou que a saúde social não vai resolver todos esses problemas, mas pode ser um caminho, já que conexões no trabalho são uma fonte de resiliência e inovação (com potencial de se tornarem vantagem competitiva).

Na palestra magna, a pesquisadora também endereçou o assunto do momento: a inteligência artificial e como ela pode ajudar — ou atrapalhar — essa equação. “Usar IA para complementar as relações humanas é uma luz amarela”, disse. “O sinal fica vermelho quando ela é usada como substituto da conexão humana.”

“A saúde social não vai resolver todos os problemas, mas pode ser um caminho. Nossas conexões no trabalho são uma fonte de resiliência e inovação. As conexões são uma vantagem competitiva”, pontuou. “Líderes e empresas que criam culturas de conexão serão aqueles que terão mais sucesso no futuro.”

Depois de se apresentar, Kasley participou de uma sessão fechada com convidados da Flash e da ABRH-Brasil na arena do Flash Humanidades. No encontro, ela assinou exemplares da edição brasileira do seu livro “Saúde Social: a Arte e a Ciência da Conexão Humana” (ed. Amarilys).

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Executivos da Flash e Kasley Killam, durante o meet & greet (Da esq. para dir.: Isadora Gabriel, CHRO da Flash, Kasley Killam, Ricardo Salem, co-founder e CEO da Flash, e Guillermo Gomez, sócio, CRO e CMO da Flash

Outros destaques de conteúdo do Flash Humanidades

Os dados da 3ª edição do Engaja S/A voltaram a ser destaque no painel “Flexibilidade, bem-estar e liderança: a fórmula do engajamento no Brasil”.

Sob a mediação de Guillermo Gomez, sócio, CRO e CMO da Flash, Renata Simioni, diretora de RH do Grupo Boticário, e Rodrigo Souto, diretor de RH da IBM, conversaram sobre as principais descobertas da pesquisa.

A troca resgatou um dado que mostra a urgência do tema: 6 em cada 10 brasileiros pensaram em pedir demissão com alguma frequência em 2025. Para Rodrigo, a resposta passa por liderança com mais espaço para desenvolver pessoas: “Na IBM, o que tentamos fazer é tirar trabalho operacional das lideranças para que elas tenham mais tempo para conhecer seus colaboradores”. Renata resumiu o equilíbrio entre personalizar e manter consistência: “Não abro mão do básico bem feito”.

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Guillermo Gomez, sócio, CRO e CMO da Flash, Renata Simioni, diretora de RH do Grupo Boticário, e Rodrigo Souto, diretor de RH da IBM

Para encerrar o segundo dia da 52ª edição do CONARH, a arena de conteúdo ainda promoveu o segundo dia de oficina com Edney Souza, o Interney, para ensinar, na prática, como construir seu próprio agente de IA.

Acompanhe o melhor do CONARH, de onde estiver

O Palco Flash Humanidades tem mais um dia de conteúdos exclusivos.

O destaque fica com a pesquisa “A Visão dos CEOs sobre o RH”, debatida por Rodrigo Ladeira, da Athena Saúde, e Lídia Abdalla, da Sabin.

A programação também traz o painel “RH com DNA Brasileiro”, com Lilian Soncin, da Petrobras, e Alejandra Nadruz, da Starian, e “A IA matou o pipeline de sucessão?”, painel com Joceline Abe, da Numen, e Marcela Martins, da Smartfit, sobre o futuro da liderança na era da automação.

Toda a programação é transmitida gratuitamente pelo YouTube, para quem não estiver no São Paulo Expo. Inscreva-se para acompanhar ao vivo.

Mariana Arrudas
Mariana Arrudas

Jornalista formada pela USP, atuou como repórter na Folha de S.Paulo e editoria de especiais no Grupo Perfil. É repórter do Flash Humanidades, onde cobre recursos humanos, financeiro e carreira.

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